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Sobre a NOVA ÁGUIA e o MIL (IV)

Entrevista de Adília César e Fernando Esteves Pinto a Renato Epifânio

Prof. Dr. Renato Epifânio.

12. Como investigador na área da “Filosofia em Portugal” tens dezenas de estudos publicados. Na tua opinião, e a partir de uma visão crítica muito pessoal, qual foi a obra mais exigente em termos de pesquisa e validação científica?

Decerto, a obra mais exigente em termos de pesquisa e validação científica foi a minha dissertação de Doutoramento em Filosofia, Fundamentos e Firmamentos do Pensamento Português Contemporâneo: Uma Perspectiva a Partir da Visão de José Marinho, defendida em 2004 na Universidade de Lisboa. Isto sem desprimor para qualquer das outras obras que entretanto lançámos: Visões de Agostinho da Silva (2006), Repertório da Bibliografia Filosófica Portuguesa (2007), Perspectivas sobre Agostinho da Silva (2008), Via Aberta: De Marinho a Pessoa, da Finisterra ao Oriente (2009), A Via Lusófona: Um Novo Horizonte para Portugal (2010), Convergência Lusófona (2012/ 2014/ 2016), A Via Lusófona II (2015) e A Via Lusófona III (2017).

13. Na obra Tabula Rasa (2017) reflectiste sobre o 1.º Festival Literário de Fátima – A Literatura e a Filosofia. Se os festivais literários tendem a impressionar pela “espuma” evanescente do desfile de personalidades mais ou menos importantes ou mediáticas, este 1.º FLF foi, tendencialmente, um Festival de Ideias, ao privilegiar a “espessura” e a “profundidade” na reflexão dos participantes. Quais os aspectos positivos que realças desse evento literário e filosófico?

De facto, mais do que um Festival Literário, esta iniciativa co-organizada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela Revista NOVA ÁGUIA foi sobretudo um Festival de Ideias – por isso, não por acaso, o tema foi a “Relação entre a Literatura e a Filosofia”. Para tanto, convidámos um amplo leque de personalidades que fizeram essa ponte – não apenas entre Literatura e Filosofia, como entre as diversas culturas de língua portuguesa. Daí a estrutura do Festival: que alternou nove painéis “Entre Literatura e Filosofia” com quatro mesas-redondas que se debruçaram sobre o panorama cultural de cada um dos países e regiões do amplo e plural espaço lusófono, série iniciada logo no primeiro dia, em que destacamos a participação de Carlos Ximenes Belo e a extensa assistência que se foi alargando ainda mais ao longo do Festival, nomeadamente com a presença de muitos jovens. No segundo dia, tivemos mais alguns convidados internacionais – nomeadamente, Maria Amélia Barros Dalomba, da Liga Africana (Angola), Elter Manuel Carlos, um dos mais promissores investigadores de Cabo Verde, e Constança Marcondes César, uma das mais consagradas filósofas brasileiras. Estes dois autores, de resto, apresentaram no terceiro dia as suas mais recentes obras: “Filosofia, Arte e Literatura” e “Olhares Luso-Brasileiros” (edições MIL). No quarto dia, destacamos a apresentação de mais um número da Revista NOVA ÁGUIA. No último dia, finalmente, realizou-se a entrega dos prémios “Obras Tabula Rasa” – nas seguintes quatro categorias: Literatura infanto-juvenil (Maria da Conceição Vicente e Catarina Pinto), Poesia (Nuno Júdice), Ficção (Gonçalo M. Tavares) e Filosofia (Joaquim Cerqueira Gonçalves) –, tendo-se encerrando o Festival com a entrega do Grande Prémio “Tabula Rasa – Vida e Obra” a Eduardo Lourenço. Uma vez mais, perante uma muito extensa assistência.

Agenda MIL – este Sábado, 16 de Setembro, mais 2 sessões de apresentação da NOVA ÁGUIA 19: 14h30: IV Encontro de Poetas da Língua Portuguesa (Palácio da Independência, Lisboa) | 16h30: V Encontro com Escritores da Lusofonia (Biblioteca Municipal de Alcochete).

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 Imagem:

Prof. Dr. Renato Epifânio.

 (Fonte):

Arquivo NOVA ÁGUIA.