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Sobre a NOVA ÁGUIA e o MIL (II)

Entrevista de Adília César e Fernando Esteves Pinto a Renato Epifânio

Prof. Dr. Renato Epifânio.

4: De que modo a Nova Águia chega ao espaço lusófono?

Essa tem sido a nossa maior dificuldade. Como a Nova Águia não quer estar dependente de apoios externos (para não ficar condicionada por eles), não tem tido ainda a pujança financeira para chegar, de forma mais constante, a todo o espaço lusófono. Mas, ainda assim, temo-lo conseguido, desde logo através de Congressos Internacionais para onde temos sido convidados e onde aproveitamos sempre a oportunidade para publicitarmos este projecto – em Março deste ano, estivemos em Macau; recentemente, estivemos ainda no Brasil, em Cabo Verde. E, à Galiza, vamos sempre todos os semestres para apresentar cada novo número da Nova Águia

5: Qual é a relação entre o MIL – Movimento Internacional Lusófono e a revista Nova Águia?

A Revista Nova Águia é o órgão do MIL, tal como A Águia foi o órgão do Movimento da Renascença Portuguesa. Mas não propriamente um órgão de propaganda, até porque o MIL não é um partido político, ou algo que se pareça. É, simplesmente, uma revista que reflecte os nossos valores e o nosso objectivo: promover uma cada vez maior convergência entre os países e regiões do espaço de língua portuguesa.

6: Na revista também dão voz aos poetas (secção “Poemáguio”). A poesia como reflexão e consciência de um Portugal Novo é um desafio para esta geração de poetas?

Sim, a Nova Águia é essencialmente uma revista de ensaio, de pensamento livre, mas tem também sido, em todos os números, uma revista de poesia, até em reconhecimento da importância da poesia não apenas na cultura portuguesa, mas em toda a cultura lusófona, em geral.

7: A par do MIL – Movimento Internacional Lusófono e da Nova Águia – Revista de Cultura para o Século XXI, está a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em conjunto, encenam acções culturais que visam uma certa realização espiritual e filosófica do mundo lusófono, num campo congregador de ideias e atitudes enquanto valores próprios de sociedades mais conscientes, livres e justas, nas suas dimensões cultural, social, cívica e política e numa perspectiva pedagógica. Que conceitos filosóficos de Agostinho da Silva estão na base deste grande objectivo?

Quando lançámos o MIL, em 2008, ainda na esteira das Comemorações do Centenário do Nascimento de Agostinho da Silva, que decorreram em 2006 e por boa parte do ano de 2007, houve um amigo brasileiro que disse que o MIL era a “criação da CPLP por baixo” – ou seja, ao nível da sociedade civil. Cada vez mais, parece-nos ser esse o caminho: quando a sociedade civil tiver peso suficiente para influenciar os diversos Partidos e Governos no bom sentido, ou seja, no sentido da Convergência Lusófona, tudo o mais virá por arrasto. A própria CPLP terá outra dinâmica, conforme o MIL tem igualmente reclamado. Entretanto, reconhecemos que a CPLP está muito aquém do sonho de Agostinho da Silva, que, ainda nos anos 50, prefigurava uma “uma Confederação dos povos de língua portuguesa”, tendo mesmo chegado a falar de um mesmo “Povo não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália” (“Proposição”, 1974).

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Imagem:

Prof. Dr. Renato Epifânio.

(Fonte):

Arquivo NOVA ÁGUIA.

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