+55 (41) 99743-8306 contato@jornalri.com.br

Sobre a NOVA ÁGUIA e o MIL (I)

Entrevista de Adília César e Fernando Esteves Pinto a Renato Epifânio

Prof. Dr. Renato Epifânio.

1: Na tua opinião, a Nova Águia, passados 9 anos desde a sua criação (2008), conseguiu de facto ser uma digna herdeira do espírito da revista A Águia cujos princípios editoriais no início do século XX eram o debate de ideias e a reflexão sobre o pensamento português?

A Revista Nova Águia procura honrar o espírito da Revista A Águia (1910-1932), órgão do movimento da “Renascença Portuguesa”, que reuniu a elite cultural da sua época (falo de nomes como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva). À semelhança da revista A Águia, que procurou dar uma orientação maior à República (lembramos que ela foi lançada a 1 de Dezembro de 1910), a Nova Águia, procura, com o mesmo espírito, repensar a nossa situação no começo do século XXI. Ela foi lançada em 2008 para, sobretudo, promover o conhecimento da nossa tradição filosófica e cultural numa perspectiva futurante – na premissa de que nenhum povo que despreze a sua tradição poderá ter real futuro. Não havia nenhuma revista que, a nosso ver, cumprisse essa missão. Continua a não haver, sendo que a Nova Águia tem conseguido ter um horizonte ainda mais amplo do que teve a revista A Águia, ao estabelecer, em todos os números, pontes com todos os restantes países e regiões do espaço de língua portuguesa.

2: Tens sido o porta-voz deste projecto, uma vez que és uma presença activa nas apresentações que fazes da revista pelo país. Como tem sido a receptividade do público?

Não temos tido razões de queixa. A Nova Águia é verdadeiramente um “case study” – e como tal tem sido vista (inclusive em Universidades): uma revista sem relevantes apoios, completamente independente, que se debruça sobre temas “difíceis”, sem qualquer concessão à “facilidade” (como acontece com a maior das revistas), que, de número para número, cresce em número de leitores. Para mais, chamo a atenção de que a Nova Águia, para além do nome de uma revista semestral, é também o título de uma Colecção de Livros, que já vai em mais de cinco dezenas de volumes, para além de outros títulos que o MIL tem editado. Temos, porém, a consciência que esta é uma corrida (ou um “voo”) de fundo. Costumamos até dizer, nas múltiplas sessões que promovemos por todo o país, que este é um caminho para maratonistas, não para velocistas…

3: Temos leitores em Portugal para acompanhar, intervir e discutir os temas específicos que a revista Nova Águia propõe nas suas edições?

Até ao momento, sim, sendo que os sinais que vamos tendo vão no bom sentido. Há um grupo de leitores cada vez maior e mais interessado nas temáticas da cultura lusófona. E, quanto a colaborações, elas têm sido sempre mais do que suficientes para compor cada novo número. De tal modo que, em geral, nem sequer fazemos convites. Os textos vão sempre aparecendo, naturalmente, inclusive das figuras maiores do nosso universo cultural – falo, entre outros, de Adriano Moreira, António Braz Teixeira, Eduardo Lourenço, Manuel Ferreira Patrício e Pinharanda Gomes, não esquecendo aqueles que já faleceram mas que ainda acompanharam os primeiros passos da Nova Águia, como António Telmo, António José de Brito e Dalila Pereira da Costa.

——————–

Imagem:

Prof. Dr. Renato Epifânio.

(Fonte):

Arquivo NOVA ÁGUIA.

This Post Has 2 Comments
  1. Tendo lido as partes I e II da entrevista em causa ao Prof. Dr. Renato Epifânio, ressalvo que a mesma teve lugar no âmbito do projecto LÓGOS – Biblioteca do Tempo, tendo sido publicada a 21 de Maio de 2017 na plataforma virtual com o mesmo nome: https://www.facebook.com/groups/713084668865820/permalink/805078542999765/
    A entrevista foi realizada por Adília César e Fernando Esteves Pinto, que são também os directores editoriais da revista LÓGOS – Biblioteca do Tempo.
    Não conhecia o JORNAL RI e é com satisfação que leio os conteúdos aqui apresentados. Continuação do bom trabalho e votos de muito sucesso.
    Adília César

  2. Peço desculpa pela omissão. Informo que o seu nome acaba de ser incluído nas duas partes da entrevista já publicadas.

    Abraço fraterno.

Comments are closed.