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A Visita de Benjamin Netanyahu à América Latina

Em 11 de setembro, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou uma visita histórica pela América Latina. Desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, esta é a primeira vez que um chefe de Governo israelense em atividade visita o continente. A viagem programada para durar quatro dias terá como destino a Argentina, a Colômbia e o México. Na Argentina, onde está localizada a maior comunidade judaica da América Latina, com cerca de 300 mil membros, o político israelense permanecerá durante dois dias para encontros com o presidente Mauricio Macri e com Horácio Cartes, presidente do Paraguai. Também assistirá às cerimônias em homenagem às vítimas dos atentados terroristas contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992, e a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994. O Brasil não fez parte do roteiro de Benjamin Netanyahu pois, segundo o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, quando a viagem foi programada, não havia certeza se Michel Temer continuaria na presidência do país.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.

O roteiro de Netanyahu foi elaborado tendo em vista negociações políticas e comerciais. Para cumprir com os objetivos pré-estabelecidos, o primeiro-ministro viajou com uma delegação de 30 empresários israelenses interessados em negócios na região. Porém, segundo informações, o propósito do périplo não se restringe apenas às negociações para a ampliação de trocas comerciais, mas também para conquistar apoio político com a finalidade de ser convertida, no futuro, em votos favoráveis a Israel, em organizações internacionais como a ONU. Esta questão está a ser tratada neste momento, em virtude das mudanças políticas ocorridas, sobretudo na Argentina e no Brasil, envolvendo as trocas presidenciais o que, de certo modo, tem reduzido à crítica com relação a Israel. Pode-se dizer que a viagem de Netanyahu à América Latina assinala o princípio da aproximação de Israel para a conquista de possíveis aliados. Também, de acordo com Arie Kacowicz, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, a motivação da visita do governante israelense a esta parte do planeta está relacionada com outra questão. Ele afirmou que “Netanyahu está viajando muito. Talvez tenha relação com o fato de estar sendo investigado por questões de corrupção e não se saber até quando continuará como premiê”. A partir dessa premissa, o acadêmico faz a seguinte análise: “Se queremos ser cínicos, podemos dizer que ele vai se sentir em casa na América Latina, neste sentido”.

A jornada de Netanyahu na América Latina, embora seja rápida, compreende não somente a ampliação de negócios, mas a gestação de algo maior no plano da política internacional. A participação israelense no continente é significativa na medida em que o país possui inúmeras empresas no México e na Colômbia, a sua principal parceira política e militar e na Argentina que, no momento, está em fase de crescimento. De fato, Israel está entre os maiores exportadores de armas para a região com um faturamento que chega a cifra de USD $500 milhões. A tentativa de conseguir novos parceiros é fundamental para a única democracia do Oriente Médio ampliar o seu raio de ação no mundo globalizado e, ainda, estreitar os laços comerciais, mas principalmente políticos, com muitos países que não fazem parte das alianças tradicionais de Israel. Esta é uma medida que poderá aliviar a situação daquele país, ante a rejeição regional motivada pelo conflito israelo-palestino. A ampliação de um bloco pró-Israel coeso neste continente é um desafio, mas não é impossível. O Panamá, por exemplo, contrariou os demais países da região e votou contra o reconhecimento da Palestina como Estado observador da ONU, o que significa, de certo modo, senão uma declaração, pelo menos uma tendência para se posicionar ao lado de Israel.

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Imagem:

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.

(Fonte):

http://www.jpost.com/HttpHandlers/ShowImage.ashx?id=370091