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A Tragédia do Submarino ARA San Juan

No dia 15 de novembro, o submarino convencional argentino de propulsão a diesel ARA[1] San Juan desapareceu quando navegava no Atlântico Sul, com 44 tripulantes, de Ushuaia com destino a Mar del Plata. Construído na Alemanha, em 1983, ele serviu a Armada Argentina entre 1985 e 2017.

ARA San Juan (2017).

O último contato do ARA San Juan com a Base Naval Mar del Plata teve lugar na manhã de 15 de novembro, quando se encontrava no Golfo de San Jorge, a 432 Km da costa de Chubut. Em sua derradeira mensagem, o submarino reportou que havia superado uma avaria nas baterias – comunicada horas antes – provocada pela entrada de água pelo snorkel[2]. Três horas mais tarde, um ruído similar a uma explosão ocorreu na mesma zona onde o submarino estava. Antes de desaparecer, o submarino – que tinha a incumbência de comunicar com terra duas vezes por dia, realizou 8 chamadas telefônicas, entre a 1H11M da madrugada e as 7H36M, no amanhecer de 15 de novembro. Rebatendo as acusações de Oscar Aguad, ministro da Defesa, o capitão de Mar e Guerra Enrique Balbi, porta-voz da Marinha, assinalou que “não foram chamadas de emergência, e que algumas delas, inclusive, não foram chamadas telefônicas, mas ‘tentativas de conexão com a internet’”.

Apesar das avultadas perdas materiais, a grande tragédia ocorrida com o ARA San Juan é a das vidas humanas. Todos eles, que estavam no auge de suas existências, entregaram-se generosamente à Pátria que os viu nascer. Pedro Martín Fernández, 45 anos, casado e pai de três filhos adolescentes, capitão de fragata, ele era o comandante do ARA San Juan. Pedro tinha jurado a Emma Nelly Juárez, sua mãe, já octagenária, que esta seria a última viagem subaquática que iria fazer; Mario Armando Toconás, 36 anos, cabo principal, era pai de uma criança de oito anos e a sua companheira está grávida de quatro meses; Fernando Santilli, ou Papá Fernando, 35 anos, sonhava ser submarinista desde a infância, tendo ingressado na Armada em 2010. Stefano, o seu filho de pouco mais de 1 ano, aprendeu a dizer “papá” durante o tempo de desaparecimento no alto mar; Eliana María Krawczyk, 34 anos, tenente e chefe de Operações do ARA San Juan, foi simultaneamente a primeira oficial submarinista argentina e da América Latina. Numa entrevista concedida ao site Infobae, em maio passado, Eliana María “afirmou que foi a primeira submarinista da Argentina e da América do Sul, mas que depois dela outra argentina e uma venezuelana já chegaram ao cargo. Existem também outras seis suboficiais submarinistas em seu país”.

As buscas pela tripulação do navio desaparecido, que duraram 15 dias, foram suspensas em 30 de novembro, após se terem varrido 557.000 Milhas Náuticas quadradas de exploração visual e mais de um milhão de Milhas Náuticas de exploração radar. Segundo Enrique Balbi, nelas estiveram envolvidos mais de 4.000 efetivos, 28 navios e 9 aeronaves de 18 países. A suspensão das operações de busca dos tripulantes foi fortemente criticada pelos familiares. Yolanda Mendiola, mãe do suboficial Leandro Cisneros, declarou ao jornal La Nación: “Queremos que os continuem procurando, que encontrem os corpos; necessitamo-los para iniciar o nosso luto”.

A tragédia do ARA San Juan emparceira com as do USS[3] Thresher, em 1963, e a do Atomnaya Podvodnaya Lodka[4] Kursk, no ano 2000. Nos três casos, a hybris[5] humana e o orgulho excessivo na tecnologia determinaram a perda dos navios e das tripulações, fazendo com que elas entrassem na patrulha eterna.

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Imagem:

ARA San Juan (2017).

(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7c/S42ARASanJuan.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

Armada de la República Argentina (em português: Armada da República Argentina).

[2] Ver:

O snorkel é um equipamento que permite a um submarino operar os seus motores diesel submerso à profundidade do periscópio, sem deixar de tomar o ar da superfície.

[3] Ver:

United States Ship (em português: Navio dos Estados Unidos).

[4] Ver:

Атомная Подводная Лодка (em português: Submarino movido a energia nuclear).

[5] Ver:

Na mitologia grega a hybris representava o espírito da insolência, a violência, a imprudência e a arrogância.