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A Situação das Mulheres na Turquia

Na Turquia, como em muitos outros países, a vida das mulheres encontra muitos desafios. De crimes de honra, que matam centenas de mulheres por ano até à recente perseguição aos supostos “culpados” após o golpe de 15 de julho do ano passado. Segundo a revista Foreign Affairs, “pelo menos 414 mulheres foram mortas, na Turquia, de 2015 a 2016 – a maioria por familiares ou conhecidos – mais de 294, em 2014 e, 237, em 2013, de acordo com o We Will Stop Women Murder, uma organização cross-country que documenta o assassinato de mulheres e vítimas de violência e suas famílias”. Implantar, de fato, as garantias aos direitos humanos na Turquia era uma meta e um requisito exigido para a entrada na União Europeia. O atual Governo, na época, prometeu fazer todos os esforços nesse sentido. Seria, finalmente, verdade que as mulheres teriam seus direitos garantidos? No entanto, uma série de acontecimentos acabou levando a Turquia para outra direção. Hoje, com o “estado de emergência”, que já foi prorrogado, ao invés de melhorar a vida das mulheres está piorando.

Dez mulheres ativistas dos direitos humanos, incluindo representantes da Women’s Coalition, İlknur Üstün e Nalan Erkem, bem como outros defensores dos direitos humanos, foram detidas ontem (5 de julho de 2017) na Turquia.

Os crimes de honra se acentuam à medida que um suposto “código islamita” propagado pelo Estado reforça os antigos machismos. Por outro lado, as vestimentas são vigiadas de perto e as mulheres já sofreram ataques por usarem roupas consideradas “muito curtas”. Por outro lado, as mulheres perseguidas pelo atual Governo, na declarada “caça às bruxas”, sofrem ainda mais. Há relatos de casos nos quais, mal teria sido realizado o parto cesária e, no dia seguinte, policiais estavam na porta do quarto do hospital à espera dessa mulher declarada ré. Alguns bebês são tomados do colo das mães e levados para abrigos do Estado e, outros, permanecem com as suas mães nas prisões. Mulheres de 18 a 80 anos são abusadamente perseguidas pela Polícia. Nenhuma delas possui antecedentes criminais, porém enfrentam acusações por possuírem alguma ligação direta ou indireta com clérigo Fethullah Gülen e, por este motivo, são declaradas terroristas pelo Governo. A maioria delas são profissionais liberais, professoras, médicas, etc.

O Ministério da Justiça da Turquia não fornece exatamente o número de mulheres presas. As prisões estão lotadas e elas não recebem tratamento adequado (quando não há tortura). Grupos pró-direitos humanos e das mulheres tentam correr contra a corrente para evitar uma situação ainda pior. Em julho deste ano, mulheres saíram às ruas de Istambul para protestar contra a violência e contra o código de vestimenta. Reclamam o direito de se vestirem como quiserem, isto é, seja com o uso do lenço islâmico ou com uma saia curta. Outros grupos, como o de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) também protestaram. Gritavam, “Nós não vamos obedecer ou nos silenciar. Nós ganharemos pela resistência”. No entanto, durante o protesto houve confrontos com policiais e alguns participantes foram presos.

A Comunidade internacional assiste e, por vezes, declara sua insatisfação com as condições dos Direitos Humanos e das mulheres como um todo na Turquia, mas pouco podem fazer, visto que se sentem ameaçados pela entrada em massa de refugiados  de guerra através da Turquia, cujo destino iminente é a Europa.

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Imagem:

Dez mulheres ativistas dos direitos humanos, incluindo representantes da Women’s Coalition, İlknur Üstün e Nalan Erkem, bem como outros defensores dos direitos humanos, foram detidas ontem (5 de julho de 2017) na Turquia.

(Fonte):

http://plataformamulheres.org.pt/wp-content/ficheiros/2017/07/WomenTurkey-700×329.jpg

 Fontes consultadas:

AAVV. Jailing Women in Turkey. Systematic Campaign of Persecution and Fear. Estocolmo: Stockholm Center For Freedom, abril de 2017.

Disponível online:

https://stockholmcf.org/wp-content/uploads/2017/04/Jailing-women-in-Turkey.pdf

HUNT, Thomas. “‘We Will Not Be Stopped!’ Women Protest Against Erdogan Regime After Spike in Attacks”. Londres: Sunday Express, 2 de agosto de 2017.

Disponível online:

http://www.express.co.uk/news/world/835879/turkey-istanbul-erdogan-rally-womens-rights-ramadan-conservative-headscarf-mini-skirt

JONES, Sophia & TUNG, Nicole. “Women Are Dying in Turkey”. Nova Iorque: Foreign Affairs, 27 de abril de 2017.

Disponível online:

https://www.foreignaffairs.com/articles/turkey/2017-04-27/women-are-dying-turkey

M., T. “BBC Report: Women With 6-Month-Old Infants in Jail Due to Emergency Rule in Turkey”. S. l.: Turkish Minute, 11 de agosto de 2017.

Disponível online:

https://www.turkishminute.com/2017/08/11/bbc-report-women-with-6-month-old-infants-in-jail-due-to-emergency-rule-in-turkey/

PEREZ, Chris. “New Mom Jailed With Baby for Alleged Ties to Turkey Coup”. Nova Iorque: New York Post, 15 de maio de 2017.

Disponível online:

http://nypost.com/2017/05/15/new-mom-jailed-with-baby-for-alleged-ties-to-turkey-coup/

REDAÇÃO. “Detained Woman, Newborn Baby Transferred to Prison 1,291 Km Away From Home”. S. l.: Turkey Purge, 11 de junho de 2017.

Disponível online:

https://turkeypurge.com/detained-woman-newborn-baby-transferred-to-1291-km-away-as-three-children-left-behind

SEZER, Murad. “Turkish Women March in Rights Protest in Istanbul”. Londres: Reuters, 29 de julho de 2017.

Disponível online:

https://www.reuters.com/article/us-turkey-rights-women-idUSKBN1AE0PK