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Sargento Getúlio – Um Caso de Tortura Atemporal

“Mas eu não sou pistoleiro, sou político, não mato a toa”, assim iniciam os primeiros minutos do longo e sádico diálogo que o verdugo Getúlio terá com seu prisioneiro ao longo da película. “Sargento Getúlio”[1], adaptação de obra bibliográfica homônima de  João Ubaldo Ribeiro, rodada em 1983, dirigido por Hermanno Penna e magnificamente interpretada por Lima Duarte, na protagonização de  um “Sargento calça-curta”, que a  mando do seu chefe, líder da situação política no Sergipe, manda-o para Paulo Afonso, na Bahia, capturar um desafeto ideológico seu, com o escopo de chegar a Aracaju afim de ser morto. Ocorre que, ao meio do caminho, a situação partidária muda e Getúlio recebe ordens para soltar o aprisionado. O que ocorre nos minutos que seguem, deixo para os espectadores que nos leem.

Lima Duarte protagonizando Sargento Getúlio na locação do Sertão do Sergipe.

Presos políticos existem desde que a humanidade aprendeu a guerrear e descobrir que o cerceamento da liberdade poderia gerar moeda de troca sob os vencidos. Mesmo atribuindo essa prática bélica, de regimes totalitários e ditatoriais, antiga, iniciada desde a Idade Antiga, a consideramos como  atemporal, pois a mesma situação repete-se em diversas partes do mundo hodierno. O Artigo 5.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos preconiza: “Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. O texto, promulgado em 1948, parece não ter efeito em diversas Nações, pois atos de barbáries, tais qual os mostrados no filme, ainda são cometidos, não só na atual Guerra da Síria, mas nos sequestros Brasil a fora, na América Latina, e em todos os continentes de alguma forma. Assistir “Sargento Getúlio” é também entender um pouco o perfil psicológico de um algoz; em um monólogo interno, que faz o personagem a pensar a razão de tudo aquilo estar acontecendo. A violência empregada nas cenas, em um território inóspito, nos faz repensar até onde a maldade humana é capaz de agir, com seus instintos mais primitivos. Platão, certa vez, disse que “apenas os mortos verão o fim da guerra”. E nós, ainda estamos vivos, não conseguindo ver a nível global o The End da infâmia.

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Imagem:

Lima Duarte protagonizando Sargento Getúlio na locação do Sertão do Sergipe.

(Fonte):

https://imagens.papodecinema.com.br/file/papocine/2013/07/Sargento-Getulio-papo-de-cinema-4.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

A película “Sargento Getúlio” pode ser vista em:

https://www.youtube.com/embed/m2Nq623CcQw

This Post Has One Comment
  1. Excelente observação! Apesar da evolução da humanidade, certas práticas continuam iguais. De tempos em tempos a violência recrudesce. Colocarei o filme no meu rol de obras a assistir.

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