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A Argélia e o Mercado de Gás Natural

A República Argelina Democrática e Popular é o mais extenso da África e um importante produtor de hidrocarbonetos a nível regional e mundial. Com a segunda e a terceira maiores reservas comprovadas de gás natural e de petróleo do continente africano, a Argélia faz parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OPAEP), além de ser membro fundador do Fórum de Países Exportadores de Gás (FPEG).

Infraestrutura de energia de Argélia.

Devido à sua posição geográfica de defrontação com o continente europeu, a Argélia desempenha um papel de relevância no fornecimento de gás natural e de gás natural liquefeito (GNL) para a Europa. De acordo com os dados mais recentes divulgados pela British Petroleum o país é o quarto maior exportador de gás para o velho continente sendo superado apenas pela Rússia, Noruega e Holanda, nesta ordem.

No último ano, a maior parte, cerca de dois terços das exportações de gás natural para a Europa, foram efetuadas por meio de gasodutos submarinos que transportam a produção do gigante campo de Hassi R’Mel. Dali partem os dutos Trans-Mediterrâneo, também conhecido como Enrico Mattei, que atravessa a Tunísia e vai até à Sicília, na Itália; Medgaz, que chega até Almería, na Espanha; e o Maghreb–Europe Gas, ou Pedro Duran Pipeline, que vai até Córdova, também na Espanha, atravessando a parte do território marroquino. Além desses, existe um projeto conjunto dos governos da Nigéria e da Argélia para a criação do gasoduto Trans-Saariano, cuja pretensão é ligar a região de Warri, no Sul da Nigéria – passando pelo Níger – até o campo de Hassi R’Mel, de onde o gás nigeriano será transportado para a Europa pelos dutos já mencionados.

A outra parte das exportações, correspondente às vendas de GNL, foi feita através de navios gaseiros que, partindo de portos como os de Arzew, Skikda e Algiers, atravessaram o Mar Mediterrâneo para abastecer os vizinhos do Norte. Vale ressaltar que o GNL é o gás natural congelado a uma temperatura inferior a -160o Celsius e depois liquefeito usando o princípio da refrigeração, isto é, de resfriamento controlado. Nessa condição, o gás pode ser transportado por via marítima através de longas distâncias.

Embora a Argélia possua uma grande estrutura para o mercado de gás natural o país tem enfrentando desafios no setor. Nos últimos quinze anos a produção nacional entrou em declínio; a demanda interna cresceu significativamente; e o gás de xisto comercializado como GNL pelos Estados Unidos tem ameaçado sua parcela de mercado. Há também o problema de atrasos e lenta aprovação governamental e pela Sonatrach – estatal do setor – para projetos de investimento no setor; falta de parceiros internacionais para este mesmo fim (dificultado ainda mais pelo baixo preço dos hidrocarbonetos no mercado internacional); além de questões técnicas e de gargalos na infraestrutura.

No entanto, apesar das dificuldades, em 2016 o nível de produção chegou a 91,3 bilhões de metros cúbicos (m3), o que representa uma elevação de 7,6% (84,6 bilhões m3) em relação a 2015. Caso o crescimento produtivo se torne uma tendência, existe a possibilidade de que em médio prazo mais investimentos possam ser atraídos e em consequência disto a infraestrutura nacional passe por um processo de modernização capaz de atender a maiores demandas dos parceiros internacionais.

A aplicação de recursos financeiros voltados para o mercado de hidrocarbonetos é um importante investimento para a Argélia, já que o setor de petróleo e gás é a espinha dorsal da economia, representando cerca de 35% do produto interno bruto e dois terços das exportações totais do país.

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Imagem:

Infraestrutura de energia da Argélia.

 (Fonte):

http://www.mesit.com/en/projects/8/lng-arzew-sonatrach.html

Fontes:

BAHGAT, Gawdat. The Geopolitics of Energy: Europe and North Africa. In: Journal of North-African Studies. Vol. 15. No 1. 2009, p. 39-49.

LAYACHI, Azzedine. The Changing Geopoltics of Natural Gas: The Case of Algeria. Houston. Harvard Universitys Belfer Center and Rice University’s Baker Institute Center for Energy Studies, 2013.