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A Prisão, Pelo Hamas, de Integrantes do Estado Islâmico na Faixa de Gaza

Desde há algum tempo, o Hamas vem enfrentando a oposição de outros grupos insurgentes, que consideram o Movimento de Resistência Islâmica na Palestina muito moderado. Em diversos momentos tais facções jihadisas lançaram rockets contra Israel desde a Faixa de Gaza desafiando o poder do Hamas e colocando em risco a frágil trégua acordada de modo informal entre a facção que governa o enclave e Israel. No  último fim de semana, o Hamas prendeu na cidade de Rafah, localizada ao Sul da Palestina, quatro membros do Estado Islâmico. Na ocasião foi preso Nour Eissa, um homem de 27 anos e líder dos milicianos de Abu Bakri al-Bagdhadi na Palestina.

Integrantes do Estado Islâmico Presos pelo Hamas.

O Hamas que, no momento, está tentando resolver com o al-Fatah a questão da divisão da Palestina, tem procurado se mostrar um negociador confiável e evitar o retrocesso ou o fim das conversações, o que o obriga a repelir os supostos terroristas. Para esta semana está programado um encontro, no Egito, entre os dois oponentes palestinos com a finalidade de alcançar um acordo de unidade. Enquanto mediador entre as duas partes, o Egito impôs algumas exigências de entre as quais se destaca o combate ao Estado Islâmico. Neste sentido, o Hamas ampliou a quantidade das suas tropas ao longo da fronteira com o Sinai, que é a região onde o Exército egípcio tem concentrado esforços para afastar a presença dos militantes do Estado Islâmico. Porém, a atitude do Hamas, de se posicionar de modo contundente contra o Estado Islâmico, é algo novo. Segundo informações, no passado recente, o grupo insurgente palestino se recusou a reprimir a atividade dos milicianos de al-Bagdhadi na fronteira com o Sinai. Esta recusa se deveu ao fato de o Hamas ter conseguido lucrar com o contrabando de armas. Isto é, as armas passavam pelos túneis administrados pela facção palestina que, por sua vez, cobrava imposto sobre aquelas importações.

O controle dos salafistas pelo Hamas, ao que tudo indica, tornou-se fundamental para evitar uma confrontação com outras facções islâmicas ou para evitar o retrocesso das negociações com o al-Fatah. Em 2009, em uma mesquita, em Rafah, um líder radical proclamou o Estado de Gaza, mas a reação das Forças de Segurança do Hamas foi imediata e horas depois o dirigente religioso foi morto juntamente com outras pessoas também consideradas terroristas. Neste contexto, verifica-se que outros grupos sunitas radicais têm interesse na Faixa de Gaza e, ao que tudo indica, o Sul do território é a parte mais frágil em termos de segurança. É possível que a fragilidade dessa fronteira possa facilitar a entrada de jihadistas com interesses na Faixa de Gaza, incluindo o Estado Islâmico que, recentemente, perdeu o seu último reduto no Norte do Iraque e continua a sofrer reveses na Síria. Se a Faixa de Gaza não foi, até agora, uma porção de terra interessante para al-Baghdadi, com a perda do controle sobre espaços estratégicos no Iraque e na Síria, o enclave palestino poderá representar o último suspiro do Califado e um grande desafio para o Hamas.

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Imagem:

Integrantes do Estado Islâmico Presos pelo Hamas.

(Fonte):

https://www.maannews.com/Content.aspx?id=779281

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