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A Presença do Xeique Mohsen Araki, Defensor do Anti-Semitismo, no Brasil

Em 27 de julho, o clérigo iraniano Mohsen Araki chegou ao aeroporto Internacional de Guarulhos, para participar de um evento no dia 29, em São Paulo, organizado pelo Centro Islâmico Arresala, uma entidade patrocinada pelo Irã. O encontro, que teve como tema “Os Muçulmanos e o Enfrentamento ao Terrorismo e ao Radicalismo”, provocou críticas por parte de religiosos e de pessoas ligadas aos Direitos Humanos, sob a alegação de que Araki prega a violência contra aqueles que ele considera inimigos do Islã. O xeique, que nasceu em Najaf, no Iraque, em 1956, é um dos notáveis no Irã e faz parte da Assembleia dos Especialistas que tem como responsabilidade a indicação ou a destituição do líder supremo. O referido clérigo está envolvido em situações polêmicas, tais como a propaganda levada a cabo para a destruição de Israel.

Xeique Mohsen Araki.

A presença de Mohsen Araki no Brasil causou o descontentamento por parte da Secretaria Municipal de Direitos Humanos do Rio de Janeiro que encaminhou um ofício ao Ministério da Justiça e ao Ministério das Relações Exteriores solicitando que a entrada do aiatolá no país fosse proibida em virtude de o mesmo proferir “com frequência discursos de ódio”. No entanto, o Itamaraty comunicou que não havia motivos legais para impedir o acesso de Araki ao território brasileiro. A Federação Israelita do Estado de São Paulo, por meio de nota, repudiou a visita do imã. Líderes religiosos brasileiros cristãos, judeus e um muçulmano sunita também se manifestaram através de nota advertindo “contra qualquer discurso destinado a propagar o ódio entre nossas comunidades”. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Araki diz ter sido mal interpretado, tendo acrescentado que o ambiente de ódio é obra daqueles que o criticaram.

Mohsen Araki é considerado uma estrela do Islã xiita, se relaciona com as pessoas mais destacadas da República Islâmica e faz parte do círculo próximo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, com quem mantém amizade de longa data. Ele é, também, amigo pessoal de Hassan Nasrallah, o secretário-geral do Hezbollah e de outras figuras preeminentes ligadas ao xiismo extremista. De acordo com informações, este líder xiita é um radical e defende a ideia de que os responsáveis pelos problemas econômicos dos países muçulmanos são os EUA e Israel. Conhecido por manter contato com integrantes de grupos insurgentes islâmicos, em São Paulo ele foi assistido por um suposto elo de ligação do movimento xiita libanês na América do Sul. Na maior metrópole brasileira, Araki contou com a companhia do iraquiano e chefe da Arresala, o xeique Taleb Hussein al-Khazraji, que é apontado como um elo de ligação da rede de conexão do Hezbollah na América Latina e um dos implicados no atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita (AMIA), em Buenos Aires, em 1994.

A vinda de Mohsen Araki ao Brasil eleva as suspeitas em torno de um possível projeto iraniano de islamização do país. Há relatórios que apontam que, desde os anos de 1980, o movimento islâmico tem vindo a crescer de modo constante em solo brasileiro. Este movimento é composto por clérigos radicais e terroristas, entre outros que têm usado o país para as atividades de logística e para a execução de operações na América do Sul, que vão desde o Cone Sul aos Andes. O ataque sofrido pela AMIA é considerado um acontecimento que comprova os fatos acima referidos. Antes de ser assassinado, o procurador argentino, Alberto Nisman, havia descoberto que, em 1980, o Serviço de Inteligência iraniano enviou, para operar em Brasília, Mohammad Tabataei Einaki, que foi expulso alguns anos mais tarde, sendo substituído pelo adido civil, Jaffar Saadat, que a partir da Embaixada do Irã em Brasília tratava de resolver os problemas logísticos regionais. Isto veio à tona em 1992, quando a Embaixada de Israel na Argentina sofreu um atentado terrorista, tendo 29 pessoas sido mortas e outras 242 ficado feridas. De fato, a Inteligência iraniana vê no Brasil o espaço adequado para colocar em prática as suas ações na região. Para muitos analistas, os aspectos que têm beneficiado a execução de tais ações a partir do maior país da América do Sul são a grande quantidade de muçulmanos em Foz do Iguaçu, localizada na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), que é a maior área de livre comércio do continente e bastante precária em termos de segurança. Isto favorece o recrutamento, o proselitismo, a angariação de fundos e outras operações terroristas, incluindo aquelas que têm ligações com as facções criminosas brasileiras.

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Imagem:

Xeique Mohsen Araki.

(Fonte):

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