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Pessoas à Venda Por USD $ 400 na Líbia

Quando se fala em escravidão, a ideia nos remete há séculos atrás e, às vezes, torna-se difícil acreditar que este tipo de crime contra a humanidade esteja ocorrendo em pleno século XXI. Recentemente, a CNN divulgou o resultado de um trabalho investigativo, em que revela a venda de migrantes em cidades da Líbia. Geralmente, as pessoas submetidas à escravidão são provenientes da África subsaariana, as quais estão tentando fugir de conflitos, perseguições e da miséria de seus países de origem e em busca de uma vida melhor na Europa.

Imigrantes Africanos na Líbia.

A tentativa de travessia do Mar Mediterrâneo, mais do que uma aventura, tornou-se o espaço dos horrores. Em mãos de traficantes, muitos seres humanos são espoliados e sem dinheiro são forçados a permanecerem presos em locais insalubres, sem água ou alimentação. Prisioneiros e sem tererem como pagar pela liberdade, eles são vendidos a céu aberto. Há algum tempo, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) vem chamando a atenção da comunidade internacional para a escravidão contemporânea, que atinge cerca de 40 milhões de pessoas no mundo. Na Líbia, de acordo com informações, o estabelecimento dos mercados de escravos se deu após o fim do regime de Muammar al-Gaddafi, em 2011. O país, tradicionalmente tribal, até hoje não conseguiu superar a crise política, em consequência da disputa e confrontos entre as várias facções rivais. A desagregação do aparelho de Estado permitiu que o país se tornasse a fronteira propícia para imigrantes e refugiados chegarem à Europa, assim como também beneficiou a exploração e o comércio humano por parte dos traficantes. O território líbio que, no passado, já foi o abrigo de piratas e de mercadores de escravos, no presente, registra na sua história recente mais um episódio de crime contra a humanidade. Segundo a CNN, as pessoas são leiloadas e vendidas por até USD $ 400. As vítimas de tal atrocidade, que conseguiram escapar, estão traumatizadas e apresentam até dificuldades para falar. Os novos mercadores de escravos cometem todos os tipos de violências e abusos, incluindo mutilações. Nos leilões, as mulheres são vendidas por um valor superior ao dos homens e há mais um agravante: para além de serem escravizadas, elas sofrem abusos sexuais.

Os leilões, geralmente, ocorrem duas vezes por mês, em várias cidades da Líbia. No vídeo divulgado pela CNN é possível ver um rapaz sendo vendido e os seus atributos físicos exaltados pelo leiloeiro como sendo adequados ao trabalho no campo, isto é, “um rapaz forte para o trabalho agrícola”. Um jovem da Guiné, em entrevista, afirmou ter sido vendido por duas vezes. “Fui vendido a um árabe, que me obrigou a trabalhar para ele e a telefonar à minha família a pedir dinheiro para pagar um resgate”. Como o resgate não foi pago, ele foi comprado por outro árabe, para quem também teve que trabalhar. A situação teve fim somente quando a sua família conseguiu pagar o resgate. As autoridades da Líbia foram alertadas sobre o que está acontecendo no país e não desconhecem os fatos e os abusos cometidos pelos contrabandistas contra seres humanos. Embora a escravidão contemporânea não seja nenhuma novidade na Líbia, pouco ou nada tem sido feito para eliminar esta prática criminosa. Enquanto isto acontece, o sonho de muitos que tentaram fugir de guerras, perseguições e da pobreza em busca de uma vida melhor no Velho Continente se esvaiu.

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Imagem:

Imigrantes Africanos na Líbia.

(Fonte):

http://ranoticias.com/2017/11/15/tv-flagra-leilao-de-africanos-como-escravos-na-libia/

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