+55 (41) 99743-8306 contato@jornalri.com.br

As Sanções Impostas ao Catar e os Riscos para a al-Jazeera

A crise diplomática que afeta o Catar ameaça, também, a liberdade de imprensa a partir de demandas externas. O Catar, que vem sendo acusado por países árabes de apoiar e de financiar o terrorismo, neste momento enfrenta o desafio de vencer, pelo diálogo, o boicote impetrado pelos seus vizinhos e de manter a sua soberania. Sob a liderança da Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein têm exigido da petromonarquia do Golfo Pérsico, o cumprimento de 13 medidas que afetam a autonomia do país, dificultando o entendimento pela via diplomática. De entre as principais exigências feitas pelos países árabes ao Catar, destacam-se as seguintes: interrupção dos vínculos que este país supostamente mantém com a Irmandade Muçulmana e os grupos de ideologia radical, submissão ao monitoramento internacional, o rompimento dos laços diplomáticos com o Irã, o fechamento de uma base militar da Turquia em Doha e que a al-Jazeera, a maior emissora de televisão do Catar, seja encerrada assim como os sites de notícias considerados pelos quatro Governos anti-Catar como mecanismos de apoio aos seus opositores.

Logotipo da al-Jazeera.

As reivindicações dos sauditas e de seus aliados foram rejeitadas pelo Governo catari. Porém, estes quatro aliados, que deram o ultimato ao Catar, não informaram quais serão as providências tomadas ante a recusa. No entanto, os Emirados Árabes Unidos propuseram a suspensão do Catar do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC – na sigla em inglês) ou, ainda, o estabelecimento de sanções aos países que mantiverem negociações com o Catar. Para o ministro das Relações Exteriores do Catar, o xeique Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, a lista de exigências “foi feita para ser rejeitada. Não deve ser aceita ou… ser negociada”. Segundo ele, o Catar está disposto a “participar do diálogo, fornecendo as condições adequadas” para as conversações futuras. Ante o agravamento da situação, o Comitê Nacional de Direitos Humanos no Catar contratou um escritório de advocacia na Suíça, para verificar os danos que o bloqueio poderá causar a milhares de cidadãos. Quanto à imposição para o fechamento da al-Jazeera ele foi considerado pelo ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel, como sendo “completamente errado”, enquanto que para outros ele é uma atidude irracional.

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein já anunciaram as providências a serem tomadas internamente se os seus cidadãos se manifestarem contrários às ações políticas tomadas contra o Catar. Nos Emirados Árabes Unidos, qualquer demonstração de simpatia ao Governo catari será classificada como crime punível com uma pena que varia de 3 a 15 anos de reclusão e uma multa de USD$ 136.000. A Arábia Saudita e o Bahrein também já criminalizaram a simpatia pelo Catar. As condições impostas pela coligação árabe contra o Catar, de certo modo, interferem na autonomia da política daquele país e tentam barrar a imprensa livre ao impor o fim da al-Jazeera. Isto fere o direito dos povos e, consequentemente, abre espaço para contestações que podem provocar mais inquietações no Oriente Médio, uma região já bastante instável.

——————–

Imagem:

Logotipo da al-Jazeera.

(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Al_Jazira#/media/File:Al-jazeera-logo.jpg