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O Silêncio de Aung San Suu Kyi Ante o Massacre dos Muçulmanos Rohingya

A líder política birmanesa, Aung San Suu Kyi, que outrora foi venerada pela sua coragem e luta em prol da democracia na Ásia é, hoje, considerada uma decepção para muitos que a admiravam. Prêmio Nobel da Paz em 1991, Aung San Suu Kyi tem sido criticada pela comunidade internacional por se manter em silêncio ante o massacre desferido contra a minoria muçulmana rohingya, que está sendo vítima de limpeza étnica. Os 23 anos de combate à ditadura de seu país, sendo que 15 deles foram passados sozinha, em prisão domiciliar, por ordem de uma junta militar, parecem ter sido esquecidos por aquela que, um dia, aos olhos do mundo representou o símbolo de luta a favor dos valores democráticos e da paz. Filha de Aung Sun, considerado o fundador da Birmânia – atual Myanmar –, Aung San Suu Kyi é, atualmente, a dirigente birmanesa cuja firmeza de seus atos, no passado, não corresponde ao modo como vem tratando os rohingya, denominados por ela de “terroristas”.

Aung San Suu Kyi.

A situação dos cidadãos rohingya, enquanto membros de uma etnia minoritária em Myanmar, se agrava dia após dia. Segundo a ONU este povo é o mais perseguido do mundo, pois sem território e sem nenhum tipo de apoio governamental está sendo deixados à própria sorte num país onde mais de 90% da população é budista. Por este motivo, eles são tratados como estrangeiros e sofrem perseguições. No momento, de acordo com a ONU, cerca de 379.000 rohingya estão em busca de refúgio em Bangladesh para fugir da violência na terra onde residem. Sob a liderança governamental de Aung San Suu Kyi que, através do recém-criado cargo de conselheira de Estado (equivalente ao de primeira-ministra)[1], tem feito a minoria religiosa enfrentar o desafio de se manter viva. Há informações de que a conselheira de Estado tem dado apoio ao Exército contra os rohingya. Para ela, há desinformação sobre a real situação da violência em seu país e, em conversa por telefone com Recep Tayyp Erdoğan, presidente da Turquia, afirmou que o compadecimento internacional em relação aos muçulmanos rohingya faz parte de “um enorme iceberg de desinformação criado para gerar problemas entre as diferentes comunidades e promover os interesses dos terroristas”.

Para evitar o retorno dos refugiados muçulmanos rohingya a Myanmar, os militares, apoiados pela Prêmio Nobel da Paz estão colocando minas terrestres na fronteira com Bangladesh. A escalada de violência naquele país tem provocado a crítica por parte de ativistas humanitários. Desmond Tutu, arcebispo sul-africano e Prêmio Nobel da Paz em 1984, criticou o silêncio da dirigente birmanesa e declarou que: “É incongruente um símbolo da virtude dirigir um país onde isso acontece. Se o preço político da sua ascensão ao mais alto cargo em Myanmar é o seu silêncio, esse preço é seguramente exorbitante”. No mesmo tom, a paquistanesa Malala Yousafzai, também Prêmio Nobel (2014), referiu-se aos acontecimentos como sendo “vergonhosos e trágicos”. Para António Guterres, secretário-geral da ONU, o fato de Suu Kyi “não falar contra a perseguição dos rohingya” é “horrível demais”.  Espera-se que a pressão internacional seja capaz de frear a violência em Myanmar, bem como de impedir que mais arbitrariedades sejam cometidas contra seres humanos em nome da intolerância e do desrespeito aos Direitos Humanos.

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Imagem:

Aung San Suu Kyi.

(Fonte):

https://ichef.bbci.co.uk/news/660/cpsprodpb/C942/production/_85422515_hi028870332.jpg

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 Fontes consultadas:

 [1] Ver:

Aung San Suu Kyi não pode assumir o cargo de presidente de Myanmar devido ao fato de ser casada com um britânico e de ter dois filhos nascidos em Londres.