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O Risco de Um Colapso Energético Total na Faixa de Gaza

A Faixa de Gaza é um dos territórios mais densamente povoados do planeta. Com uma população de aproximadamente 2 milhões de habitantes num espaço de apenas 40 Km de extensão e 12 Km de largura, ela tem enfrentado sérias dificuldades ao longo da sua existência. Desde 2007, quando o grupo islâmico Hamas assumiu o controle daquela terra foram registrados três conflitos com Israel e um enfrentamento com o Movimento de Libertação Nacional da Palestina (al-Fatah), o partido político de Mahmud Abbas, o atual presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), baseado na Cisjordânia. O enclave palestino, que há dez anos sofre com o bloqueio de Israel conta, hoje, com 40% da população adulta desempregada e uma pobreza galopante. Para piorar a situação, a região está encarando a escassez de energia elétrica, o que dificulta os serviços básicos como o atendimento nos hospitais, comprometendo, assim, a sobrevivência humana.

Vista da cidade de Gaza (2007).

À beira de um colapso energético, a população local se vê confrontada com um pesado racionamento, tendo apenas duas ou quatro horas de eletricidade por dia. A administração do Hamas não tem dado conta de atender às necessidades do seu povo e de gerar renda suficiente para arcar com as despesas públicas e libertar-se da dependência de importações e das ajudas financeiras. O Catar, por exemplo, financiava o combustível para a geração de eletricidade mas, após a crise diplomática e o boicote  que vem sofrendo pelos países vizinhos, sob a acusação de financiar grupos terroristas, como o Hamas, deixou de repassar o dinheiro. Ante tal situação, o Egito decidiu pelo envio de combustível industrial para poder colocar em funcionamento a única usina daquele território, que estava parada desde abril. Desse modo, o Cairo conseguiu amenizar o problema. Segundo Chris Gunness, porta-voz da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), mesmo antes da crise, a Faixa de Gaza já recebia menos da metade dos 450-500 Megawatts necessários ao funcionamento normal. Neste contexo, mais um contratempo se avizinha do enclave costeiro. O Ministério da Saúde advertiu para o risco de paralisação de 40 salas cirúrgicas e 11 salas de ginecologia que realizam cerca de 250 cirurgias por dia. Isto porque em paralelo ao acentuado declínio energético há, também, uma crise na saúde motivada pela retirada de fundos pela ANP, destinados a subsidiar o hospital, os equipamentos e os remédios.

A empobrecida Faixa de Gaza, mais uma vez, está à beira de uma catástrofe humanitária. Para além de ser afetada com frequência pelos conflitos armados com Israel ela é alvo de bloqueios econômicos impetrados por este país, o que afeta a importação de petróleo e aumenta a dependência do carente território palestino em relação às linhas de energia israelenses enquanto fonte energética confiável. As linhas transmissoras do Egito, que abastecem o Sul da Faixa, apresentam problemas com frequência e, por vezes, estão fora de operação.  As disputas internas entre o Hamas e o al-Fatah, que quase já provocaram uma guerra civil em 2007, são outro obstáculo local. É importante esclarecer que há um acordo entre a ANP e o Hamas em termos de responsabilidade pública/financeira, para suprir as necessidades locais. Neste sentido, a ANP negocia com Israel e paga pelo fornecimento de energia elétrica para o território costeiro, mediante o compromisso de o Hamas reembolsar o parceiro palestino. Porém, este reembolso não tem sido feito e, por este motivo, a ANP se comprometeu a pagar apenas 70% do custo mensal. Em contrapartida, o Governo de Israel se recusou a arcar com o restante dos custos e autorizou a Corporação Elétrica de Israel (IEC, na sigla em inglês), a reduzir o fornecimento de energia em 60%, o que agravou a situação. Hoje, a condição da Faixa de Gaza é de extrema carência de produtos e serviços de primeiras necessidades e, segundo analistas, corre o risco de mais uma situação explosiva na medida em que têm aumentado as tensões internas encabeçadas pelo Hamas e a ANP.

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Imagem:

Vista da cidade de Gaza (2007).

(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/be/Gaza_City.JPG