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O Irã Desafia os EUA e Testa Novo Míssil

Na última sexta-feira, 22 de setembro, a TV estatal iraniana exibiu um vídeo no qual revelou o teste de um míssil balístico, de médio alcance, com capacidade de atingir 2 mil Km. de distância. O evento ocorreu na sequência do discurso proferido na Assembleia Geral da ONU, por Donald Trump, presidente dos EUA, que criticou o sistema de mísseis iranianos e o acordo nuclear assinado em 2015 pelas potências do grupo P5+1 (China, EUA, França, Reino Unido, Alemanha e Rússia) com o país dos aiatolás. De acordo com análises, a resposta imediata do Irã ao presidente norte-americano demonstra a disposição da República Islâmica em não se curvar totalmente ante as exigências do Ocidente.

Lançamento de um míssil balístico iraniano em inícios de 2017.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou que o Irã continuará a “fortalecer o seu poderio militar”, o que deixa claro que Teerã tem um projeto em andamento naquilo que diz respeito ao desenvolvimento e à ampliação de sua capacidade bélica. É importante ressaltar que esta potência regional tem interesse em exercer domínio no Oriente Médio ao mesmo tempo em que está em disputa com rivais potencialmente fortes como Israel e a Arábia Saudita. Em fevereiro deste ano, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, exortou os palestinos a fazerem a intifada contra Israel que, para ele, é um “regime usurpador” e um “tumor cancerígeno”. Neste contexto, em paralelo ao aumento das tensões entre os EUA e o Irã, isto pode aquecer os ânimos no Oriente Médio que, por ser uma região bastante castigada por conflitos e guerras, concentra muitas rivalidades que são sensíveis a determinados fatos, na medida em que sempre que acontece algo há a desconfiança de quem será o alvo.

A habilidade diplomática norte-americana é fundamental neste momento para manter o acordo nuclear e, também, para evitar o agudizar da crise no Oriente Médio. Cabe ressaltar que qualquer inabilidade ocidental, geralmente, serve de combustível para aquela que é a parte mais conturbada do planeta. Não é possível ignorar, por exemplo, que o míssil Khoramshahr testado recentemente pelo Irã tem capacidade de transportar várias ogivas e de atingir grande parte do Oriente Médio, incluindo Israel. Embora o acordo nuclear continue em vigor, os EUA têm aplicado unilateralmente, desde julho, sanções contra o Irã devido ao sistema de mísseis e ao suposto apoio a grupos terroristas. No entanto, assim como na Coreia do Norte, tais medidas não têm servido para desencorajar o Irã. Desafiando a maior potência da Terra, o ministro de Defesa iraniano, o general Amir Hatami, declarou que o seu país não “pediria permissão de nenhum país para produzir vários tipos de mísseis”. No domingo, 24 de setembro, ocorreu mais uma demonstração de força do Irã. Isto é, a Guarda Revolucionária Iraniana exibiu pela primeira vez o sofisticado sistema de defesa aérea S-300 na praça Baharestan, em Teerã. O desenvolvimento dos acontecimentos futuros poderá contribuir para o retrocesso do acordo nuclear ou, ainda, para revelar a sua impotência num mundo onde os países encontram subterfúgios para dar continuidade à construção de seus arsenais para, assim, assegurar os seus interesses regionais.

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Imagem:

Lançamento de um míssil balístico iraniano em inícios de 2017.

(Fonte):

https://www.theyeshivaworld.com/wp-content/uploads/2017/02/ir.jpg

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