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O Impacto Ambiental da Alimentação Humana

A alimentação humana sempre esteve ligada à disponibilidade de recursos existentes no entorno. Assim, muitos costumes alimentares da sociedade humana  foram construídos ao longo do seu desenvolvimento e do seu relacionamento com o meio ambiente. Se uma população se desenvolveu, historicamente, próxima ao mar, a tendência é que ela crie pratos à base de peixes e frutos do mar, por exemplo. Além disso, a distribuição de alimentos é bastante desigual ao redor do globo, conforme demonstra Monteiro (1996), e que a obtenção e o preparo dos alimentos também estão ligados a questões socioeconômicas. Ou seja, se uma população tem acesso aos alimentos e conhecimento para prepará-los.

A pecuária utiliza 68% do total do solo para produção de alimentos.

Ao abordar a relação entre a alimentação humana e a disponibilidade de alimentos, o objetivo é refletir a maneira como as escolhas individuais podem interferir de maneira negativa na natureza. Segundo um relatório publicado pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo, é possível verificar que a agricultura para a produção de alimentos utiliza 70% da água doce disponível em todo o mundo.

Aliás, o relatório demonstra que uma alimentação baseada no consumo de carne pode impactar ainda mais nesse cenário. Para produzir um quilo de carne é necessária a mesma quantidade de água que uma família média utiliza por dez meses para suprir suas necessidades básicas; ou ainda, a produção de um quilo de carne demanda quatro vezes mais água do que a de um quilo de arroz, que são 3.500 litros de água.

O Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), na Colômbia, fez pesquisas para detectar os impactos que a alimentação humana causa na natureza. Os cientistas apontam que a produção de alimentos representa de 25% a 30% dos gases de efeito estufa. Em relação à produção de carne, dos cinco bilhões de hectares de terra utilizados para a produção de alimentos no globo, 68% deste total é para a pecuária.

No entanto, os cientistas defendem que grandes mudanças na dieta de alguns países, especialmente os menos desenvolvidos, causaria também grandes impactos culturais, provocando efeitos mais devastadores. Tendo em vista que a carne é a base alimentar de muitas culturas, talvez, seria interessante pensar no redutivarianismo, ou seja, a tentativa de redução do consumo de carne, sem tomar medidas drásticas, mas que busca uma mudança de consciência alimentar progressiva, já preocupada com a questão do impacto ambiental causado pelos hábitos alimentares.

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Imagem:

A pecuária utiliza 68% do total do solo para produção de alimentos.

Fonte:

http://simat.mma.gov.br/acomweb/Media/Fotos/AC_236.jpg