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O Imã Abdelbaki Es Satty, Provável Mentor Intelectual dos Atentados de Barcelona e Cambrils

Na quinta-feira, 17 de agosto, a Europa foi, mais uma vez, alvo dos jihadistas. A Espanha que, desde 2004, não tinha sofrido nenhum atentado perpetrado por radicais islâmicos, sofreu um revés na medida em que Barcelona e Cambrils protagonizaram os atos dantescos cometidos pelos extremistas e reivindicados pelo Estado Islâmico.

Barcelona – catedral da Sagrada Família.

Por perspicácia, ou astúcia, eles conseguiram montar uma logística que passou despercebida às autoridades espanholas, culminando nas ações que fizeram 15 mortos e mais de 130 feridos. As investigações apontam para uma célula liderada pelo imã Abdelbaki Es Satty, um marroquino que, provavelmente, foi morto durante a explosão de uma casa abandonada, em Alcanar, no Sul da Catalunha, utilizada como quartel-general do grupo para a preparação dos atentados que atingiram as duas cidades espanholas. Segundo consta, o objetivo dos jihadistas era realizar um ataque à bomba de grande magnitude contra a catedral da Sagrada Família, tendo em vista que, no local onde ocorreu a explosão, foram encontradas “mais de duas dezenas de cilindros de gás butano” e explosivos, entre os quais triperóxido de triacetona (TATP), conhecido por “mãe de Satã”, que é muito utilizado pelos fundamentalistas. Todo este aparato foi ignorado pelos agentes da Polícia que esteve no local após o ocorrido.

Conforme as investigações avançam, os fatos indicam que Es Satty foi o mentor intelectual da ação em território espanhol. O líder religioso de uma mesquita localizada em Ripoll, conforme informações, era uma pessoa discreta, que evitava se destacar e não estava integrado à comunidade muçulmana local. A discrição assumida pelo imã, de certo modo contribuiu para que ele não levantasse suspeitas sobre as suas intenções e, também, com relação ao seu passado marcado pelo envolvimento com o tráfico de drogas e a prisão que durou de 2010 a princípios de 2012. Há a desconfiança de que, no cárcere, Es Satty manteve contato com Rachid Aglif, condenado pelos atentados em Madri, em 2004. Supõe-se que, neste período, ele tenha se radicalizado, porém não há certeza de quando e onde se deu o seu processo de radicalização. Cabe salientar que o provável cérebro do mais recente atentado terrorista em Espanha viajou para Marrocos e, também, para a Bélgica, onde, no ano passado chegou a procurar trabalho numa mesquita na cidade de Vilvoorde, considerada uma localidade chave para a formação de jihadistas na Europa, cujos destinos são a Síria e o Iraque.

No momento há várias questões referentes aos acontecimentos trágicos em Espanha que ainda permanecem sem resposta, inclusive aquelas que dizem respeito ao imã. No entanto, de entre as várias perguntas que se fazem no presente, convém destacar aquelas que se referem às circunstâncias que antecederam a efetivação da atividade terrorista. Em primeiro lugar, uma mesquita foi aberta sem a prévia averiguação do seu líder, o imã Abdelbaki Es Satty, o qual já tinha cumprido pena por tráfico de entorpecentes. A segunda indagação é relativa à explosão da casa que estava repleta de materiais suspeitos na véspera dos atentados, sem que as autoridades tivessem tomado providências acerca de tais evidências. A terceira interrogação concerne a quem estava por trás da coordenação das ações que se sucederam na sequência do plano falhado, ou seja, a bomba que estava sendo fabricada na casa. A rapidez com que foi colocado em prática um plano B pressupõe a existência de um segundo líder ou de um comando superior. Isto porque o grupo formado por doze jovens, alegadamente “sem recursos e sem experiência na luta jihadista”, sozinhos não conseguiriam tamanha façanha. Porém, naquele momento, empreenderam uma fuga, cuja habilidade permitiu escapar do cerco policial. Neste contexto, há indícios de que eles tinham uma “infraestrutura para se movimentar e se esconder”, ao mesmo tempo que os atropelamentos poderiam fazer parte de ataques coordenados, previamente programados, ou como um plano B colocado em prática por alguém experiente. Enquanto o mundo aguarda a conclusão pericial dos fatos, vemos com indignação o crescimento do número de famílias atingidas por crimes de ódio e mais uma vez surgem muitos questionamentos sem resposta, de entre os quais se destacam os Serviços de Inteligência e as Forças de Segurança: eles estão sendo suficientemente eficazes para impedir, a tempo, a atividade terrorista? Onde e quando será o palco de outro episódio de mesma natureza? Estes são os principais desafios para o mundo ocidental a fim de evitar mais hostilidades e mais vítimas feitas pelos radicais.

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Imagem:

Barcelona – Catedral da Sagrada Família.

(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/ff/Sagrada_Familia_02.jpg