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O Envolvimento do Irã na Queda do Caça-Bombardeiro F-16 Israelense

No dia 10 de janeiro, um avião caça-bombardeiro F-16 de Israel foi abatido pelos Sistemas de Defesa Antiaérea da Síria, durante o retorno de uma operação naquele território, contra as posições sírias apoiadas pelo Irã e a interceptação de um drone iraniano. Segundo informações, 12 alvos iranianos e sírios foram atingidos pela ofensiva israelense.

F-16 da Força Aérea Israelense (fotografia ilustrativa).

No entanto, tanto Israel quanto a Síria disseram que não pretendem uma escalada do conflito, porém esta questão não é algo a ser resolvida ao nível bilateral uma vez que, o Irã é a parte central do problema. É fato que as decisões tomadas pela Síria necessitam, previamente, de ser aprovadas pelo Irã e pela Rússia. A necessidade de apoio logístico e militar para se manter no poder fez com que Bashar al-Assad, de certo modo, renunciasse a parte da autonomia de seu país, no que diz respeito à tomada de decisões. Deste modo, o que existe verdadeiramente do regime sírio é um esqueleto que é utilizado estrategicamente pelos iranianos e russos em prol de seus objetivos no Oriente Médio. Neste contexto, o derrube do caça-bombardeiro F-16 israelense, enquanto é visto pelo regime de al-Assad como um ponto de viragem importante, para a oposição síria trata-se apenas de mais uma aventura iraniana.  De acordo com análises, Moscou controla todos os passos de Damasco e não é incorreto dizer que este controle é partilhado por Teerã.

O último acontecimento envolvendo Israel, a Síria e o Irã, embora grave, não significa a abertura imediata de mais um conflito. Neste momento, tudo está a ser definido pela ação da política estratégica iraniana de não confrontação direta com Israel, para evitar mais sanções econômicas e também não provocar um possível embate entre o Hezbollah e os israelenses. Está prevista para maio, a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump sobre o futuro do acordo nuclear iraniano e a possibilidade de novos embargos ao país dos aiatolás. Ante tal situação, um enfrentamento militar com Israel poderia acelerar a opção por mais sanções. Por todos estes motivos, o Irã tenciona, no presente momento, manter um perfil militar baixo com relação a Israel e com a Turquia, a qual recentemente invadiu o norte da Síria para combater as milícias curdas. É importante destacar que a República Islâmica vem enfrentando sérios problemas econômicos, apesar de, desde 2015, o país ter registrado avanços nesta área, mas sem efeito para a sociedade. Conforme informações, o envolvimento em vários conflitos, nomeadamente, na Síria e no Iêmen e o provável apoio a grupos insurgentes como o Hezbollah e o Hamas tem gerado custos muitos elevados e, consequentemente, aumentado o descontentamento entre a população que sofre com o desemprego e a inflação alta. As dificuldades enfrentadas pelos iranianos levaram, no final de 2017, aos protestos de jovens iranianos contra o regime dos aiatolás.

O Irã tem tentado associar o episódio de 10 de janeiro à Síria, a qual na verdade é um escudo defensivo e faz parte de sua estratégia. A ponderação iraniana momentânea, com relação a medidas militares contra Israel, está relacionada com as várias questões acima mencionadas, mas isto não significa que haja um projeto político ou a intenção para eliminar as hostilidades existentes em relação ao inimigo. O desfecho dessa história está reservado para o futuro e com possíveis implicações relativamente ao envolvimento de outros atores no terreno. Isto faz parte do novo Oriente Médio que surgiu com a Guerra na Síria, a qual se tornou o cenário para as antigas e as novas potências internacionais e regionais traçarem novas estratégias para a região. Neste contexto, um conflito envolvendo Israel e o Irã dificilmente ficará restrito aos dois oponentes. Há informações, afirmando que o Irã necessita de coordenar as suas ações militares com a Rússia, pois há a preocupação de que uma ação militar contra Israel possa prejudicar a ação diplomática russa tornando Damasco alvo de ataques israelenses. Embora praticamente não se fale em formação de alianças a partir da Síria, o fato é que elas existem. Ao analisarmos o que se passa hoje, em solo sírio, verificamos o encontro dos antigos impérios como o Irã, a Turquia e a Rússia (ex-União Soviética). Deste modo, presenciamos o triunvirato russo-iraniano-turco em ascensão. Isto assinala uma nova fase entre os três países que, ao longo da História, nunca foram aliados naturais. Por outro lado, são notórias, na Síria, as alianças tradicionais formadas pelos EUA, França, Grã-Bretanha, União Europeia e Arábia Saudita e as alianças emergentes, principalmente, entre a Rússia, o Irã. Se o futuro reserva a confrontação entre o Irã e Israel, não é precipitado afirmar que a hipótese de um novo conflito entre os dois países poderá provocar o envolvimento de mais atores regionais e estrangeiros.

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Imagem

F-16 da Força Aérea Israelense (fotografia ilustrativa).

(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/00/Israeli_F-16C_takes_off_from_Ovda_Airport_in_2013_%28cropped%29.JPG/1280px-Israeli_F-16C_takes_off_from_Ovda_Airport_in_2013_%28cropped%29.JPG

 

 

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