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O Egito Acaba de Sofrer o Maior Atentado de Sua História Recente

Na última sexta-feira, 24 de novembro, o Egito sofreu o maior atentado da sua história recente. Cerca de 30 homens abriram fogo contra os fiéis da Mesquita al-Rawda, na cidade de Bil al-Abed, na Península do Sinai.

Mortos e feridos após ataque à Mesquita al-Rawda, na Península do Sinai.

Desde a deposição de Muhammad Morsi do poder, em 2013, e a passagem da Irmandade Muçulmana à clandestinidade, os ataques terroristas se intensificaram no Egito. Ultimamente, o país tem assistido a vários episódios sangrentos desferidos pelos insurgentes islâmicos, cujos alvos principais são os militares,  os civis, os cristãos coptas e, agora, os muçulmanos não radicais. A maioria dos ataques sofridos pelo Egito é proveniente do Norte da Península do Sinai, onde está baseado o grupo Wilayat (Província) do Estado Islâmico no Sinai, o  antigo Ansar Bayt al-Maqdis que, hoje, é o braço armado do Estado Islâmico na região. Este último acontecimento que levou a óbito 305 pessoas e deixou mais de 100 feridos, evidencia a intolerância dos extremistas em relação àqueles que não seguem os mesmos preceitos rígidos do islamismo. Esta ação terrorista foi uma das mais mortais a nível mundial.  Porém, a repercussão não é tão grande se comparada aos atos cometidos pelos jihadistas nos países ocidentais, que são alvos do radicalismo islâmico, mas não são os mais vitimados do planeta. O Oriente Médio e o Norte de África estão no topo da lista entre as regiões que sofrem a maioria dos ataques e os muçulmanos são as vítimas principais.

O ato dantesco que vitimou os seguidores sufis na Mesquita al-Rawda, não foi improvisado, mas, de acordo com as evidências, tratou-se de uma ação minunciosamente preparada. Segundo informações, foi lançada uma bomba no interior da Mesquita e os atiradores cercaram e bloquearam todas as saídas do templo religioso, sem deixar opção de fuga aos fiéis. A reação do Governo egípcio foi imediata e consistiu em lançar ataques aéreos sobre as posições terroristas na Península do Sinai e o presidente Abdel Fattah el-Sisi, prometeu uma “resposta brutal” aos agressores. Porém, vale ressaltar que há algum tempo as Forças de Segurança do país têm efetuado várias operações na região do Sinai e até ao momento não conseguiram conter os jihadistas. O Egito, para além da Península do Sinai, onde estão concentrados os combatentes do Estado Islâmico, na fronteira ocidental com a Líbia há grupos radicais ativos vinculados à al-Qaeda. Neste contexto, conforme um estudo recente, o Egito, juntamente com o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Nigéria, o Paquistão, a Somália e a Síria, faz parte dos centros urbanos mais vulneráveis ao terrorismo.

Atualmente, é notória a perda territorial e de capacidade de luta por parte do Estado Islâmico, principalmente, no Iraque e na Síria. Consequentemente, esta facção, por meio de seus aliados, tende a impulsionar os atentados nas áreas ou centros urbanos mais frágeis no que se refere à questão de segurança. Para os jihadistas, o agir corresponde a mostrar força e serve como propaganda favorável para manter o ânimo dos milicianos e, também, para conquistar adeptos. A pugna entre o Estado e os grupos terroristas parece estar distante de acabar. As atividades paramilitares desencadeadas pelos insurgentes islâmicos chocam-se frontalmente com os Governos que, com o uso da força militar convencional, não estão conseguindo destruir as diversas associações terroristas que, para além das táticas de guerrilha, congregam ideais comuns em nome de uma causa. Isto os torna mais fortes e destemidos, fazendo com que frustrem as tentativas de aniquilação por parte dos Estados. O Egito enfrenta este dilema, sendo, necessário, no futuro próximo, repensar a própria estratégia de atuação por parte das Forças de Defesa daquele país ante os radicais, a fim de garantir a segurança da sua população.

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Imagem:

Mortos e feridos após ataque à Mesquita al-Rawda, na Península do Sinai.

(Fonte):

https://ep01.epimg.net/brasil/imagenes/2017/11/24/internacional/1511523480_902986_1511531230_noticia_normal.jpg

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