+55 (41) 99743-8306 contato@jornalri.com.br

O Descontentamento de Israel Quanto à Decisão da UNESCO sobre Hebron

Em 7 de julho, a UNESCO declarou a cidade antiga de Hebron, localizada na Cisjordânia, como Patrimônio Mundial e Patrimônio em Perigo. O comitê que se reuniu em Cracóvia, Polônia, aprovou a medida com 12 votos a favor, 3 contra e 6 abstenções confirmando esta cidade como o terceiro Patrimônio Mundial da Palestina. O resultado da votação representou uma vitória da diplomacia palestina ante os esforços intensos de Israel e dos EUA para a rejeição da deliberação da UNESCO. O resultado que provocou o descontentamento por parte dos israelenses foi comemorado pelos vizinhos palestinos que, gradativamente, estão conseguindo que algumas de suas reivindicações sejam atendidas. Hebron é uma das cidades mais antigas do mundo, cuja existência data de há mais de 3000 a.C. Palco de muitos conflitos e alvo de conquistas de vários povos como os romanos, os judeus, os cruzados, os mamelucos, em períodos diferentes da história, Hebron é repleta de significados para as populações autóctones e guarda os locais sagrados que os judeus denominam de Túmulo dos Patriarcas, enquanto os muçulmanos chamam o local de Mesquita de Ibrahim.

Túmulo dos Patriarcas (visto do lado Sul).

Hebron possui, atualmente, uma população de aproximadamente 200.000 palestinos e centenas de colonos israelenses que vivem protegidos por militares. O território é considerado um direito histórico para os judeus, o que, consequentemente, acaba por gerar hostilidades com o vizinho. Desde há muito tempo Hebron vive uma situação explosiva e marcada por confrontos entre judeus e palestinos. Em 1994, Baruch Goldstein, um colono judeu, atirou contra os fiéis que rezavam na Mesquita de Ibrahim levando a óbito 29 muçulmanos antes de ser morto. A decisão da UNESCO contrariou as autoridades israelenses que levantaram vários questionamentos, inclusive o fato de o voto não ter sido totalmente secreto, como pretendiam. Eles alegam que o sigilo total durante a votação, que preserva a identidade do votante, teria facilitado o apoio dos Estados contra a medida da UNESCO, isto é, seria um voto sem pagar um preço político. No Twitter, Emmanuel Nahshon, porta-voz da diplomacia de Israel, escreveu que “a decisão da UNESCO sobre Hebron e o Túmulo dos Patriarcas é uma mancha moral. Esta organização irrelevante promove uma HISTÓRIA FALSA. Vergonhoso para a UNESCO. No mesmo tom de descontentamento, Avigdor Lieberman, ministro de Defesa de Israel, denominou a UNESCO de “organização politicamente inclinada, vergonhosa e antissemita, cujas decisões são escandalosas”.

O resultado da questão levou o Ministério das Relações Exteriores da Palestina a saudar o último acontecimento como “um sucesso para a batalha diplomática travada em todas as frentes, ante a pressão israelense e norte-americana sobre os Estados-membros”. Porém, a resolução da UNESCO acarreta, para a ONU, uma perda financeira significativa na medida em que Israel deixará de repassar para a organização cerca de USD$ 1 milhão em resposta à decisão final sobre Hebron. Segundo Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, este dinheiro, agora, será destinado à criação de um museu e de projetos para proteger a herança judaica em Hebron. Esta não é a primeira verba que Israel retira da ONU, mas é a quarta. Segundo informações, Israel chegou a contribuir para a organização com USD$ 11 milhões, mas hoje esta cifra caiu para em torno de apenas USD$ 1,7 milhão. Neste contexto fica evidente a desaprovação israelense assim como o inequívoco significado histórico e religioso que Hebron tem para os judeus e para os palestinos. A importância religiosa que atrai os colonos israelenses está ligada à herança dos antepassados, o que não é diferente para os palestinos. Deste modo, o destino dos dois povos acaba por se cruzar a partir de um passado memorável que definiu as identidades e, ao mesmo tempo, a rejeição mútua e a recusa da partilha de uma riqueza cultural, religiosa e arquitetônica que também é universal.

——————–

Imagem:

Túmulo dos Patriarcas (visto do lado Sul).

(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%BAmulo_dos_Patriarcas#/media/File:Hebron001.JPG