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O Desastre que Mudou a Vida de Mariana

Cinco de novembro é a data que marca o maior acidente ambiental registrado no Brasil: o vazamento de 62 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos de minério da barragem de Fundão, da mineradora Samarco. A cidade histórica de Mariana (Minas Gerais) ainda amarga as consequências deste acontecimento, que resultou em 19 mortes, além da poluição do Rio Doce. Há, ainda, danos sociais, ambientais e econômicos no Espírito Santo e na Bahia. Dois anos se passaram e muitas pessoas ainda são prejudicadas com os desdobramentos da tragédia, tendo em vista que, com a poluição do rio e das margens, muitos pescadores e populações ribeirinhas ficaram sem condições de trabalho e sustento.

O impacto socioambiental do desastre de Mariana.

Ao fazer o levantamento desta questão, é importante verificar que há um contexto econômico envolvido, tendo em vista que a Samarco é a empresa controlada pela Vale e pela australiana BHP Billiton. Além disso, é responsável por 2% da produção mundial das “bolinhas” de ferro utilizadas na indústria do aço. É uma das maiores exportadoras brasileiras e, na ocasião do vazamento, as barragens estavam com nível de risco “C”, pois se localizavam muito próximas às populações que habitam a região, podendo gerar consequências graves, e foi o que aconteceu.

É preciso destacar então o termo justiça ambiental, ou seja, compreender que a exploração dos recursos naturais ou da desestabilização dos ecossistemas prejudica diferentes grupos nas áreas afetadas. Dois anos após o acontecimento, é notável que os danos ainda refletem na rotina de vida destas pessoas, pois a “lama” da Samarco afetou quem dependia do Rio Doce para a sua subsistência. Até hoje, muito pouco foi feito por estas pessoas que tiveram os seus direitos violados devido à irresponsabilidade de uma grande companhia em busca de lucros.

Além disso, a relação com o capital e o poder hegemônico fica muito clara com o não pagamento das multas ambientais por parte da Samarco. Segundo reportagem do  jornal El País, foi pago, até agosto deste ano, apenas 1% dos 552 milhões de Reais que a empresa deve ao  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e aos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Uma história de impunidade e descaso, cujas consequências são incalculáveis, e a palavra “acidente” nunca poderia ter sido utilizada, principalmente pelos meios de comunicação, para descrever o que houve.

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Imagem:

O impacto socioambiental do desastre de Mariana.

 (Fonte):

http://www.ibama.gov.br/images/noticias/2015/12-Dezembro/lama.jpg

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