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O Crescimento da Simpatia pelo Jihadismo Radical em Trinidade e Tobago

Trinidade e Tobago (em inglês: Trinidad & Tobago) é um pequeno país insular com 5.128 Km2 de terra e aproximadamente 1.346.350 habitantes, localizado na América Central, a nordeste da Venezuela e a sul de Granada. A renda per capita das duas ilhas do Caribe permite um padrão de vida confortável para a sua população, se comparado com os padrões da América Latina. Porém, nos últimos tempos, esta realidade tem se alterado em virtude da queda do preço do petróleo no mercado mundial. Para além do turismo, Trinidade e Tobago é dependente da exportação de combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás natural, que, em 2016, não rendeu as cifras habituais, reduzindo o PIB (Produto Interno Bruto), que retraiu em torno de 6,7% e elevou o índice de desempregados. O encolhimento da economia e o aumento das dificuldades econômicas no cotidiano, segundo analistas, contribuíram para o aumento de jihadistas vinculados ao Estado Islâmico naquele território. Com 6% de população muçulmana, não é a primeira vez que o islamismo radical é alvo de atenção naquela parte do planeta. Em agosto de 1990, um grupo de rebeldes islâmicos tentou derrubar o Governo. Yasin Abu Bakr, o líder do movimento Jamaat al-Muslimeen, em pronunciamento na TV, afirmou na época que “Alá derrubou o primeiro-ministro”, tendo justificado a ação como sendo um meio para colocar fim à “corrupção, roubo, incestos e drogas”. O Golpe de Estado fracassado terminou seis dias depois com a rendição dos insurretos. Se, na altura, foi difícil para a população local compreender o que havia ocorrido, hoje isso se torna mais fácil se partirmos do princípio de que, para além de questões religiosas, a falta de perspectivas de vida para muitos jovens faz com que a jihad seja atraente.

Trinidade e Tobago, o maior berço per capita do Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental.

Atualmente, Trinidade e Tobago tem um fluxo considerável de combatentes radicalizados que estão indo para a Síria, para lutarem ao lado do Estado Islâmico. Desde o ano passado todas as informações convergem para a redução de estrangeiros que migraram para a Síria para se juntarem aos grupos radicais, mas isto não se aplica ao país caribenho. De acordo com informações, “Trinidade e Tobago é hoje o maior exportador per capita de combatentes para grupos extremistas do Hemisfério Ocidental”. Estima-se que, de cada 100 insurgentes latino-americanos filiados ao Estado Islâmico, 70 são de Trinidade e Tobago.  De acordo com especialistas, as motivações que têm conduzido muitos jovens do Caribe com destino à Síria estão relacionadas a sérios problemas socioeconômicos, violência e criminalidade. A situação é, hoje, alvo de preocupação norte-americana, país cujas autoridades alertam para o fato de, no futuro, a América Latina se transformar num destino de trânsito para os insurgentes, a partir das rotas utilizadas pelo narcotráfico e pelo contrabando na região. Os EUA estão mantendo sob vigilância Trinidade e Tobago e, também, o grupo fundamentalista Frente Islâmica de Trinidade, cujo líder, Umar Abdullah, é considerado um radical e crítico da política estadunidense.

O Governo de Trinidade e Tobago tem tentado, sem grande sucesso, combater a radicalização no interior da sociedade. O foco das medidas governamentais, de combate aos jihadistas, em linhas gerais, está direcionado para as mesquitas, enquanto que nas favelas, até o momento, não está havendo nenhum tipo de investigação com este propósito. Os critérios adotados pelo poder público, para combater os extremistas, têm gerando ceticismo por parte de líderes religiosos e da população, pois o modo como vem agindo pode beneficiar a construção de uma imagem negativa dos muçulmanos. Neste contexto, de acordo com a análise publicada, em março de 2017, pelo National Center for Policy Analysis (NCPA), dos EUA, o aumento do extremismo islâmico na América Latina, que não está restrita à ligação ao Estado Islâmico, constitui uma “grande ameaça à segurança” norte-americana. Para David Grantham, um analista sênior do NCPA, a “Arábia Saudita investiu milhões para construir mesquitas e centros culturais na América do Sul e na América Central que expandem ao alcance de sua versão rígida do islamismo, conhecida como wahabismo”. Paralelamente a esta correte radical sunita, relatórios de Inteligência apontam para o surgimento de vários centros culturais xiitas patrocinados pelo Irã e operados pelo Hezbollah e a Guarda Revolucionária Iraniana, com o objetivo de levarem a cabo o recrutamento secreto de novos militantes no Ocidente. Segundo Grantham, “O extremismo islâmico prospera onde há financiamento ilícito e relativa facilidade de movimento através das fronteiras nacionais e internacionais. A mobilidade de terroristas em toda a América Latina representa um problema sério. Neste sentido, Trinidade e Tobago, ao contrário do restante dos países da América Latina é, hoje, a parte visível de uma realidade que muitos Governos não qurem ver. Vários analistas de serviços de Inteligência alertam para a necessidade de a região criar novas estratégias de segurança. A consolidação que o recrutamento de novos combatentes no país caribenho reflete é um exemplo do que poderá acontcer no restante do Hemisfério Sul. As péssimas condições de vida de uma parcela significativa da população latino-americana são, para os radicais islâmicos, assim como está sendo Trinidade e Tobago, um manancial para o recrutamento e a radicalização de novos jihadistas.


Fonte: http://breakingnews-wiki.com/trinidad-tobago-largest-per-capita-islamic-state-hotbed-in-western-hemisphere/