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O Confronto Entre as Forças de Defesa de Bashar al-Assad e os Rebeldes na Fronteira com Israel

Em 27 de dezembro, as Forças de Defesa de Bashar al-Assad, apoiadas pelo Hezbollah e o Irã, avançaram em direção a uma posição rebelde a 11 Km da fronteira com Israel, ao pé do Monte Hermon, nas proximidades dos Montes Golã.

Monte Hermon.

O ataque aos rebeldes, desferido por parte do regime sírio e seus aliados, cercou a  aldeia de Mughr al-Meer e também atingiu, de acordo com informações, Beit Jin, o último enclave rebelde ao Sul de Damasco. Há relatos de que ocorreram bombardeamentos pesados e o uso de fogo de artilharia. Os rebeldes receberam a ordem de rendição e, segundo um oficial do Exército Livre da Síria, “eles receberam 72 horas para se renderem ou chegarem a um acordo”. Conforme noticiado pelo jornal The Times of Israel, Suhaib al-Ruhail, um oficial do grupo Liwa al-Furqan, afirmou em entrevista à Reuters que “as milícias apoiadas pelo Irã estão tentando a sua área de influência em todo o caminho do sudoeste de Damasco até a fronteira israelense”. Há informações de que o regime sírio e os seus aliados têm pressionado a evacuação dos grupos rebeldes concentrados nos entornos das grandes cidades e de locais estratégicos. Neste contexto, vale destacar o fato de que Beit Jin está localizada ao lado dos Montes Golã, uma área controlada por Israel. Em diversos momentos Israel já advertiu que não permitirá a proximidade do Hezbollah e do Irã nas suas fronteiras.

Na última quarta-feira, 27 de dezembro, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a enfatizar a oposição de seu país ante a possibilidade do Irã estabelecer uma fortaleza na Síria, reafirmando a disposição em atuar no sentido de “evitar a produção de armas precisas e letais destinadas” ao seu povo. Nesse mesmo dia, Netanyahu fez referência ao poderio da Força Aérea de Israel, que se encontra, segundo ele, no “auge”. Para o primeiro-ministro, “Israel tem os melhores aviões do mundo, capazes de atingir alvos distantes”. Esta afirmação está relacionada com o fato de Israel possuir o avião caça F-35, tecnologicamente, o mais avançado da atualidade. A preocupação de Israel naquilo que se refere à guerra na Síria está relacionada com a sua fronteira Norte, que por muito tempo se manteve relativamente calma, mas hoje é a região mais sensível do país. A presença de inimigos a 11 Km do território israelense significa um sinal de alerta. Há, ainda, a preocupação de que o Irã ganhe terreno na Síria e, a partir de milícias aliadas, tal como o Hezbollah, possa no futuro, efetuar ataques terroristas contra Israel.

Há algum tempo, os confrontos na Síria, sobretudo entre as diferentes facções que fazem a guerra por procuração, não têm como objetivo central a defesa daquele país. A Síria tornou-se o trampolim para algumas potências que tencionam o domínio do Oriente Médio. Neste sentido, o risco de grandes interesses entrarem em choque não pode ser descartado. O Hezbollah, ao contrário do que muitos possam pensar, continua com grande capacidade de combate. Há evidências de que o grupo insurgente libanês tenha em seu poder um arsenal de 100 mil a 150 mil mísseis de curto, médio e de longo alcance e um contingente de cerca de 50 mil soldados, incluindo os reservistas. Em setembro, um comandante do Hezbollah confirmou a presença de 10 mil combatentes no Sul da Síria, prontos para entrarem em confronto com Israel. Na verdade, na Síria existe um sistema de alianças, cujas ligações fazem sentido quando nos remetemos para além do território em guerra. Este último embate entre as Forças de Defesa da Síria, em conjunto com o Hezbollah, é mais uma evidência do elo de ligação baseado na Síria, com objetivos próprios e com um plano estratégico que poderá desequilibrar ainda mais a região.

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Imagem:

Monte Hermon.

(Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Monte_Herm%C3%B3n#/media/File:Hermonsnow.jpg

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