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O Aumento das Tensões entre Israel e a Jordânia

Em meados de julho, três palestinos mataram dois policiais israelenses e, em seguida, foram mortos. Este episódio desencadeou a retomada da violência na Cidade Velha de Jerusalém, o que levou Israel a adotar mecanismos de defesa que insuflaram os ânimos dos palestinos. O Monte do Templo, lugar sagrado para os judeus, e a Mesquita de al-Aqsa, sagrada para os muçulmanos, mais uma vez foram o estopim da revolta. Israel, sob a alegação da necessidade de coibir possíveis ameaças contra os seus cidadãos, reforçou a segurança na Esplanada das Mesquitas instalando detectores de metais, o que irritou os fiéis muçulmanos. Pouco tempo depois, esta medida evoluiu para a proibição da entrada nesses locais, de homens com menos de 50 anos de idade. Os detectores de metais foram retirados na última terça-feira mas, de modo geral, as restrições impostas pelos israelenses geraram indignação nos palestinos e em outros fiéis do Islã além-fronteiras. A Jordânia, o país guardião dos lugares sagrados muçulmanos em Jerusalém, na última sexta-feira, 21 de julho, registrou manifestações em Amã e em outras cidades que protestaram contra as deliberações de Israel. Os manifestantes, em reação à atitude tomada pelas autoridades israelenses, gritavam: “Com nossa alma e nosso sangue, nos sacrificaremos por ti, al-Aqsa”. Neste sentido, esta contestação não era apenas um apoio simbólico ao vizinho árabe pois, dois dias depois, um acontecimento acabou por provocar a pior crise diplomática dos últimos tempos, entre Israel e a Jordânia.

Vista aérea do Monte do Templo e de partes da Cidade Velha de Jerusalém.

Na noite de domingo, 23 de julho, um incidente ocorrido em Amã comprometeu as relações entre Israel e a Jordânia. Segundo informações, naquela ocasião, um trabalhador jordaniano de 17 anos  atacou um guarda da Embaixada de Israel com uma chave de fenda e acabou sendo morto pelo segurança que disparou contra ele, atingindo também outro homem. De acordo com a imprensa, a segunda vítima era um médico, proprietário do edifício onde o jovem estava trabalhando. Desde 1994, os dois países mantêm um acordo de paz que sobreviveu à morte de Yithzchak Rabin e do rei Hussein, os dois principais responsáveis pela assinatura de um compromisso que tem resistido ao longo dos tempos, mas que hoje se encontra ameaçado. Após este fato, “Israel decidiu retirar o seu corpo diplomático da Jordânia”, o que não ocorreu de imediato pelo fato de as autoridades jordanianas insistirem em interrogar o segurança israelense, impedindo-o de sair do país. No entanto, Israel argumenta que o seu funcionário tem imunidade diplomática e que está ao abrigo da Convenção de Viena. As circunstâncias recentes, tais como as hostilidades crescentes entre os palestinos e os israelenses em Jerusalém e o evento que marcou o desconcerto entre Israel e a Jordânia, elevam ainda mais as tensões no Oriente Médio na medida em que as hostilidades se disseminam em diferentes territórios e aquecem os ânimos de ambos os lados.

Alcançar o sucesso nas negociações será um desafio para a diplomacia israelense e jordaniana. Um fracasso diplomático poderá golpear politicamente uma realização significativa do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que é a aliança com os países sunitas conservadores na região, incluindo a Jordânia, o Egito, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Neste contexto, a resolução do problema de modo rápido parece ser um objetivo dos dois Governos, mas não é tarefa fácil. Há pontos primordiais que abrangem a questão e merecem ser analisados, pois são fundamentais para o desenvolvimento de cenários futuros. Em primeiro lugar verifica-se que os embates presentes, em Jerusalém, deverão ser contidos para evitar confrontos mais agressivos. A Jordânia era uma aposta da União Europeia para fazer a mediação entre os israelenses e os palestinos para pôr fim a esta contenda, mas por agora deixou de ser um interveniente válido. Os EUA, que outrora exerceram presença em inúmeras negociações, perderam o peso político no Oriente Médio e a própria imprensa local questiona a capacidade da administração Trump em intermediar positivamente as conversações quer seja entre a Jordânia e Israel ou com os palestinos. A falta de opções ou a perda delas para tentar resolver os contratempos nas mesas de negociações implica em insegurança e incertezas para a região, que enfrenta neste momento um período conturbado. É evidente a desagregação de países como a Síria e o Iraque e esta situação influencia a geopolítica do Oriente Médio que é bastante sensível aos embates travados entre Israel e a Palestina e tende a se agravar se as relações entre Israel e a Jordânia não se normalizarem.

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Imagem:

Vista aérea do Monte do Templo e de partes da Cidade Velha de Jerusalém.

(Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Temple_Mount_(Aerial_view,_2007)_05.jpg