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O Acordo de Reconciliação Política entre o Hamas e o al-Fatah

No dia 12 de outubro, o Hamas e o al-Fatah anunciaram um acordo de reconciliação após 10 anos de brigas e disputas internas. As duas facções palestinas têm um histórico longo marcado por rivalidades e desentendimentos que levaram à cisão por completo, em 2007. Em 2006, o Hamas participou nas eleições legislativas obtendo vitória nas urnas e, no ano seguinte, na sequência de quase uma guerra civil, este grupo de ideologia islâmica assumiu o controle da Faixa de Gaza, enquanto que a Cisjordânia ficou sob o comando do al-Fatah.

Palestino, dono de loja, exibe bandeiras nacionais e um cartaz com os retratos do primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, e o líder palestino, Mahmoud Abbas, na cidade de Gaza.

Durante o período marcado pela divisão da Palestina entre as suas principais forças políticas rivais surgiram vários atritos, o que acabou por afetar ainda mais as condições de vida da população residente no enclave. Em 2011 foi feita a primeira tentativa de reconciliação, mas acabou por fracassar em virtude das diferentes posições assumidas pelas duas partes quanto ao controle das forças de segurança em Gaza. Nos anos de 2012 e 2014, novos esforços de conciliação foram realizados, mas sem sucesso. No momento, um novo acordo político, mediado pelo Egito, foi acertado, de modo que a Faixa de Gaza não terá mais uma administração independente como tem ocorrido desde há uma década, quando o Hamas assumiu o controle daquele território. Conforme estabelecido, a partir das conversações entre os dois oponentes palestinos, de agora em diante, assim como a Cisjordânia, a Faixa de Gaza será administrada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que possui o apoio do al-Fatah. A reunificação da Palestina acontece na altura em que o enclave enfrenta sérios problemas econômicos e sociais, após as três guerras com Israel desde que o Hamas assumiu o poder. A gestão do movimento islamista palestino foi incapaz de superar as dificuldades econômicas e sociais dos residentes da Faixa de Gaza e de oferecer as condições básicas de cidadania aos aproximadamente dois milhões de pessoas que, hoje, sofrem com o desemprego, a pobreza, a falta de água e de eletricidade.

Os problemas internos daquela faixa de terra extremamente populosa estimulou o processo de retorno à unidade da Palestina. Porém, segundo análises, o pacto estabelecido entre o Hamas e o al-Fatah deve ser visto com ceticismo. Isto porque há sérias questões que poderão inviabilizar a concretização do entendimento recentemente realizado. O atual Governo terá a missão de desarmar os cerca de 25 mil homens do Hamas, uma condição básica para que o mesmo possa assumir ministérios. A manutenção das armas, em mãos dos insurgentes, representa para além da possibilidade da violência, o desencorajamento de doadores internacionais continuarem com as suas contribuições para a Palestina. Mesmo que este propósito seja alcançado é importante salientar que a governação não será fácil naquilo que se refere às relações com Israel e os EUA. Isto porque uma administração que envolve a participação de integrantes do Hamas não é bem aceita por estes dois países, que consideram o movimento islâmico palestino uma organização terrorista, consequentemente não é tido como um negociador válido. Outro fator a ser considerado um entrave para a efetivação desse acordo é o fato de as duas facções que formarão o Governo conjunto serem ideologicamente opostas. A Palestina terá um grande desafio pela frente que consiste em superar as dificuldades internas de natureza diversa e, também, ideológicas, impedindo o declínio do pacto afim de travar uma possível retomada dos confrontos entre o Hamas e o al-Fatah, tal como aconteceu no passado recente.

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Imagem:

Palestino, dono de loja, exibe bandeiras nacionais e um cartaz com os retratos do primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, e o líder palestino, Mahmoud Abbas, na cidade de Gaza.

(Fonte):

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