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Nossa “Espada de Dâmocles” é Feita de Energia Nuclear

Assim começa o relato do jornalista norte–americano, William L. Laurence, citado pelo historiador Smith, ao relatar sobre os lançamentos das primeiras bombas atômicas no mundo. Durante “um tempo muito curto, mas extremamente longo”, a paisagem à volta dele e de todos os que estavam no morro permaneceu em um silêncio absoluto e medonho enquanto eles olhavam estarrecidos para a bola de fogo que se expandia. Era como “um vulcão vibrante que lançava fogo para o céu”.

Explosão da Trinity – primeira bomba nuclear.

Em que pese já ter passado 72 anos desde a data do primeiro lançamento (1945), ainda é possível ver neste fato um dos acontecimentos mais catastróficos da história da humanidade e não apenas pelos números de mortos deixados pela explosão e pela radiação subsequente, mas porque mostrou a pior face da humanidade.

A explosão foi muito além do que deveria ter ido.  As bombas atômicas lançadas durante a Segunda Guerra Mundial ao explodirem no solo, concomitantemente, implodiram nossa humanidade e ainda hoje nos faz questionar até onde devemos ir em prol da ciência e até onde devemos ir com nosso projeto racional se em confronto com nossos freios éticos.

Vinicius de Moraes (1913-1980), contemporâneo a Segunda Guerra Mundial, com sua peculiar mestria sobre a vida, registrou no poema “Rosa de Hiroshima” o incômodo característico de quem assistiu impactado e assombrado às consequências das duas primeiras bombas nucleares.

Robert Oppenheimer, diretor técnico do Projeto Manhattan declarou anos mais tarde, com imenso peso moral, sobre si mesmo: “Agora eu me torno a morte, o destruidor de mundos”.

De 1942 a 1945, após a construção do primeiro reator nuclear, iniciou nos EUA, sob a presidência de Franklin D. Roosevelt, o Projeto Manhattan, objetivando a construção das primeiras bombas atômicas da história: Trinity e Little Boy e Fat Man.

A enorme mobilização despendida nesta empreitada possibilitou que o primeiro teste da explosão fosse realizado em 16 de julho de 1945, na base secreta do Projeto Manhattan, situada no deserto de Los Alamos, Novo México.

Neste primeiro momento, houve a explosão da Trinity que, à época, equivaleu a 20 quilotoneladas de TNT (dinamite convencional formado de Trinitrotolueno) e o resultado obtido foi tão estarrecedor que os cientistas envolvidos no projeto repudiaram a decisão de lançamento das outras duas bombas, então apelidadas de Little Boy e Fat Man, posto tratar-se de uma arma de destruição em massa e projetadas para serem  usadas na Segunda Guerra Mundial.

Os posicionamentos contrários não obstaram seus lançamentos e, nos dias 06 e 09 de agosto de 1945, as outras duas bombas decorrentes deste mesmo projeto foram lançadas sobre o solo japonês, atingindo as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

Este fato trouxe à tona a necessidade de abordar a questão nuclear de modo a impedir que a energia atômica pudesse ser novamente utilizada para fins bélicos.  Assim, uma das primeiras resoluções da ONU, Organização Internacional criada no pós Segunda Guerra, foi exatamente sobre como lidar com os problemas decorrentes da descoberta desta nova forma de energia.

De 1945 até hoje várias foram as resoluções e tratados sobre o uso da energia nuclear e a necessidade de contenção na fabricação de bombas atômicas. Diversos foram os tratados assinados, apesar de muitos deles não ratificados. Dentre os principais tratados assinados temos: Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT); Tratado de Redução de Ofensivas Estratégicas (SORT); Tratado Compreensivo de Banimento de Testes (CTBT); Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START); Tratado de Interdição Parcial de Testes (LTBT); Tratado Antimísseis Balísticos (TAB); Tratado de Interdição completa de ensaios nucleares.

Apesar de os testes nucleares nunca terem cessado foram vários os avanços nesta questão, transformando as bombas Trinity, Little Boy e Fat Man em espoleta perto do que existe atualmente. Mas, por um breve período de tempo, esta questão parecia adormecida e controlada sendo, inclusive, utilizada em prol da humanidade, porque transformou a energia nuclear em eletricidade.

Mas os últimos acontecimentos tem nos mostrado que a possibilidade do mundo ser novamente atingido por uma bomba atômica retorna aos noticiários e os principais tratados sobre energia nuclear não estão obstando à realização de novos testes. A questão reaparece como a ameaça que sempre foi.

Dentre os casos mais complicados sobre a possibilidade de disparo do arsenal nuclear bélico temos os seis testes realizados pela Coreia do Norte que, gradualmente, vem aumentando seu poder de alcance.  Em outubro de 2006, a Coreia do Norte fez o seu primeiro teste nuclear, cuja consequência foi um terremoto de 4,3 graus de magnitude. O segundo teste ocorreu em 24 de maio de 2009, o terremoto foi de 4,7 graus. Em 12 de fevereiro de 2013, o terceiro teste provocou um terremoto de 5,1 graus. Em 05 de janeiro de 2016, o quarto teste teve 5,1 de impacto, mas tratou-se de uma Bomba de Hidrogênio. O quinto teste, ocorrido em 08 de setembro de 2016 atingiu 10 quilotons e provocou um terremoto de 5,3 graus. E, o último e mais potente teste realizado pela Coreia do Norte  ocorreu em 03 de setembro de 2017, com 100 quilotons e atingindo 6,3 graus de magnitude cujo tremor pôde ser sentido pela China.

Em resposta a esta ofensiva da Coreia do Norte, os países do mundo estão se mobilizando no sentido de contenção. Entretanto, o espectro da morte, do medo e da dor que sempre acompanhou o horror provocado pelas bombas atômicas retorna ao mundo e, novamente, paira sob nossas cabeças a “Espada de Dâmocles” que, nesta versão contemporânea, não tem apenas a lâmina afiada, mas sim afiada, explosiva e radioativa.

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Imagem:

Explosão da Trinity – primeira bomba nuclear.

Fonte:

 http://www.wikiwand.com/en/Thermonuclear_weapon

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Fontes consultadas:

Projeto Manhattan.

Disponível em:

http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/projeto-manhattan.htm

(Acessado em 02 de outubro de 2017).

10 citações que mudaram a forma como vemos o mundo.

http://www.huffpostbrasil.com/2015/05/19/10-citacoes-que-mudaram-a-forma-como-vemos-o-mundo_a_21680439/

(Acessado em 02 de outubro de 2017).

Conheça os principais tratados sobre a questão nuclear.

http://ultimosegundo.ig.com.br/segurancanuclear/conheca-os-principais-tratados-sobre-a-questao-nuclear/n1237588664087.html

(Acessado em 02 de outubro de 2017).

Os seis testes nucleares da Coreia do Norte.

https://oglobo.globo.com/mundo/os-seis-testes-nucleares-da-coreia-do-norte-20078340

(Acessado em 02 de outubro de 2017).

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