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María Dolores Gómez Molleda, A Vida como Exigência de Rigor e Espiritualidade

María Dolores Gómez Molleda, professora catedrática de História Contemporânea da Universidade de Salamanca, nascida na localidade madrilena de Colemar Viejo, em 15 de setembro de 1922, faleceu na manhã do dia 10 de outubro em sua casa, em Salamanca.

Prof.ª Dr.ª María Dolores Gómez Molleda.

Formada no seio da Instituição Teresiana, instituição a que aderiu em 1947 e no seio da qual viveu toda a vida, se formou como doutora em Filosofia e Letras pela Universidade de Madrid. Gómez Molleda ingressou, por intermédio de concurso no Corpo de Arquivistas do Estado, tendo alcançado, também por concurso, o lugar de adjunta da cátedra de História Moderna e Contemporânea da Universidade de Madrid. Em 1967, ela obteve a cátedra de História Contemporânea Universal e de Espanha na Universidade de Santiago de Compostela, transferindo-se para a Universidade de Salamanca em 1970. Entre 1977 e 1988 ela foi diretora da Casa-Museu Unamuno, vice-reitora da Universidade de Salamanca (1971-1979), sendo a primeira mulher a servir como reitora em funções da Universidade de Salamanca durante um ano, entre março de 1979, na sequência da demissão de Julio Rodríguez Villanueva, e março de 1980, até à eleição de Pedro Amat.

Autora de livros de suma importância no âmbito da História e da Teoria das Ideias, como Los Reformadores de La España Contemporánea[1], sobre a Institución Libre de Enseñanza, suas conquistas e limitações, Unamuno “Agitador de Espíritus” y Giner de los Ríos[2], livro que reúne o epistolário entre o reitor de Salamanca e don Francisco Giner de los Ríos, El Socialismo Español y Los Intelectuales: Cartas de Líderes del Movimiento Obrero a Miguel de Unamuno[3], onde a autora demonstra que, historicamente, o socialismo espanhol não pôde contar com os intelectuais, La Masonería en La Crisis Española del Siglo XX[4], estudo sobre os maçons, em Espanha, desde a ditadura de Miguel Primo de Rivera até à instauração da II República e a Revolução de 1934, e Pedro Poveda, Educador de Educadores[5], livro que aborda a formação das mulheres que, durante o reinado de Alfonso XIII, se preparavam para ser professoras nacionais, ou professoras universitárias, sem renunciarem à fé católica que professavam, Gómez Molleda dirigiu as revistas Eidos. Revista de Ideas Contemporâneas e Crítica. Fundadora de Narcea, S. A. de Ediciones e membro do Conselho de Cultura da Instituição Teresiana, ela coordenou, durante mais de vinte e cinco anos, a Edição Crítica das obras de São Pedro Poveda. Integrou a Association Internationale d’Histoire Contemporaine de I’Europe, dependente do Instituto Européen de I’Université de Genève, da Society for Spanish and Portuguese Studies (Estados Unidos); da Associazione degli Storici Europei, de Roma, do Centro per la Satira della Massoneria, de Roma, a par de diversas associações científicas de carácter nacional.

Membro correspondente da Real Academia da História, em 1967 María Dolores Gómez Molleda foi galardoada com o Prêmio Nacional de História, em reconhecimento pela obra Los Reformadores de La España Contemporánea, ao qual se seguiram muitas outras distinções, tanto em Espanha quanto na Hispanoamérica. Em 1991, a Universidade de Salamanca publicou um livro em sua homenagem: Historia, Literatura, Pensamiento. Estudios en Homenaje a María Dolóres Gómez Molleda[6].

O legado de María Dolores Gómez Molleda estende-se a quantos trabalharam com ela durante décadas – orientandos, alunos, colegas. Ela demonstrou, simultaneamente, uma enorme exigência de rigor e a vivência dos valores espirituais, com especial ênfase para os valores religiosos. A pensadora salmantina jamais ocultou a quem quer que fosse sua matriz católica, sediada na Instituição Teresiana. Desde os horizontes teóricos que a nutriram, María Dolores Gómez Molleda foi a protagonização de que a escola, a ciência e a fé católica podem caminhar par a par. Ilustrando cotidianamente uma reflexão de São Pedro Poveda, a intelectual espanhola sabia, ex corde, que “não é preciso ser rico para dar, basta ser bom”.

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Imagem:

Prof.ª Dr.ª María Dolores Gómez Molleda.

(Fonte):

http://www.institucionteresiana.org/es/noticias/jovenes-mujer/item/3885-m-dolores-gomez-molleda-una-vida-de-virtud-ciencia-y-humanismo

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

MARÍA DOLORES GÓMEZ MOLLEDA (Prefácio de Vicente Palacio Atard), Los Reformadores de La España Contemporánea, Madrid, Consejo Superior de Investigaciones Científicas – Escuela de Historia Moderna, 1966, XXXI+522 págs. [1.ª reimp.: 1981].

[2] Ver:

MARÍA DOLORES GÓMEZ MOLLEDA, Unamuno “Agitador de Espíritus” y Giner de los Ríos, Salamanca, Ediciones Universidad de Salamanca, 1976, 102 págs.

[3] Ver:

MARÍA DOLORES GÓMEZ MOLEEDA, El Socialismo Español y Los Intelectuales: Cartas de Líderes del Movimiento Obrero a Miguel de Unamuno, Salamanca, Ediciones Universidad de Salamanca, 1980, 550 págs.

[4] Ver:

MARÍA DOLORES GÓMEZ MOLLEDA, La Masonería en La Crisis Española del Siglo XX, Madrid, Taurus, 1986, 537 págs [2.ª ed.: Madrid, Editorial Universitas, 1998, XXVII+505 págs.].

[5] Ver:

MARÍA DOLORES GÓMEZ MOLLEDA, Pedro Poveda, Educador de Educadores, Madrid, Narcea, S. A. de Ediciones, 1993, 140 págs.

[6] Ver:

Mercedes Samaniego Boneu & Valentín del Arco López (Coord.), Historia, Literatura, Pensamiento. Estudios en Homenaje a María Dolores Gómez Molleda, Salamanca, Ediciones Universidad de Salamanca, 1990, Vols. I [470 págs.] e II [533 págs.].

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