+55 (41) 99743-8306 contato@jornalri.com.br

Hayat Tahrir al-Sham, O Novo Grupo Fundamentalista na Síria

Em finais de janeiro deste ano ocorreu a fusão de diversos grupos insurgentes dando origem à organização Hayat Tahrir al-Sham (em português: Organização pela Libertação do Levante) que, hoje, conta com mais de 25.000 combatentes e há dados que indicam a ligação com a al-Qaeda. Hayat Tahrir al-Sham representa, na atualidade, a maior junção de fundamentalistas islâmicos atraídos pelos valores salafistas e conservadores e configura, no momento, a dinamização do radicalismo e da violência na guerra na Síria. De acordo com informações, este panorama poderá provocar operações militares por parte da Rússia e da coalizão ocidental, principalmente, no Norte do país e causar mais danos à população civil.

Grupos insurgentes que deram origem à organização Hayat Tahrir al-Sham.

A origem da Hayat Tahrir al-Sham consolida, de fato, a maneira como os insurgentes desde há algum tempo têm agido. Isto é, na Síria, palco de encontro e de confronto entre as forças militares convencionais e paramilitares, tem se tornado em terreno fértil para união de grupos jihadistas. As migrações ocorrem para o lado mais forte, ou seja, a facção melhor organizada e com uma infraestrutura melhor e maiores recursos financeiros. No caso desta última, a associação de vários grupos como: Jabhat Fateh al-Sham (ex-Jabhat al-Nusra), Frente Ansar al-DinJaysh al-SunnaLiwa al-Haqq e o Movimento Nour al-Din al-Zenki, revela a unidade entre aqueles considerados fortes no terreno e explicita o objetivo de luta dos combatentes que diverge dos interesses a que os cidadãos sírios aspiravam na fase da Primavera Árabe.

Até há pouco tempo, o Estado Islâmico era o grupo terrorista mais destacado na guerra síria, porém, no momento, Hayat Tahrir al-Sham parece ganhar protagonismo pelo vigor das batalhas travadas com os adversários. Os seus combatentes atuam de modo agressivo e possuem uma cadeia de comando composta por pessoas experientes. O líder desta organização é Hashim al-Sheikh, também conhecido por Abu Jaber, que no passado fez parte da al-Qaeda no Iraque e lutou ao lado de Musab al-Zarqawi que, na época, era o comandante daquele grupo, cujo ex-membro mais conhecido na atualidade é Abu Bakr al-Baghdadi. De certa maneira, isto revela uma espécie de reagrupamento de antigos militantes da al-Qaeda que, ao atingirem a maturidade na jihad, traçaram metas individuais e lutam contra as forças estatais e entre si pela conquista de território. Para Abu Jaber, em referência a Primavera Árabe, ele afirmou que a Hayat Tahrir al-Sham “oferece uma nova etapa na vida da revolução abençoada”. A partir disso, sob a sua liderança, os jihadistas adotam métodos violentos na tentativa de esmagar todas as demais forças anti-al-Assad.

O avanço dos insurgentes representa não somente o fracasso das estratégias e das táticas das guerras tradicionais, mas o descalabro motivado pela guerra de guerrilha que tem assolado a população síria e promovido uma onda de refugiados jamais prevista para este século. A atuação de organizações fundamentalistas islâmicas, tais como a al-Qaeda, o Estado Islâmico e, hoje, a Hayat Tahrir al-Sham na Síria, no Iraque, assim como ao redor do mundo colocam em xeque o plano ocidental traçado no século XX, com base no politicamente correto. Travar o avanço radical é um desafio a nível global na medida em que os jihadistas dispõem de aparatos tecnológicos e de informações semelhantes àqueles que são usados pelos Estados. Segundo o coronel general Igor Korobov, chefe da Direção-Geral do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, “os terroristas ativos na Síria usam as armas mais avançadas incluindo drones, assim como meios de luta radioeletrônica e substâncias tóxicas”. Para além da utilização da tecnologia, os mujahidin ainda fazem uso da população civil como escudo humano, o que lhes permite vantagem com relação às tropas governamentais. A Hayat Tahrir al-Sham não é aceite pela população síria mas, no entanto, permanece levando a cabo as suas operações, principalmente nas províncias de Aleppo, Idlib e Hama e cada vez mais conta com a adesão de milicianos, inclusive aqueles que integravam grupos considerados moderados.

——————–

Imagem:

Grupos insurgentes que deram origem à organização Hayat Tahrir al-Sham.

(Fonte):

https://alshahidwitness.com/wp-content/uploads/2017/03/Just-who-are-HTS-And-are-they-the-future-of-the-Syrian-revolution.png