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A Exploração da Amazônia em Pauta

Nos últimos dias, houve muita polêmica em relação ao decreto expedido (e depois revogado) pelo Governo brasileiro permitindo que empresas de capital estrangeiro atuem na Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca), na Amazônia. A área foi criada em 1984, ainda no Regime Militar, para garantir que a estatal brasileira vinculada ao Ministério de Minas e Energia tivesse exclusividade na exploração da área de mais de 46 mil metros quadrados, com potencial para metais preciosos.

Mais de sete mil quilômetros quadrados foram desmatados entre 2015 e 2016.

A partir das últimas notícias relativas à exploração desta área na Floresta Amazônica, é preciso refletir sobre a importância do ecossistema para o Brasil e também para os países que fazem fronteira. Setenta por cento da floresta está localizada em terras brasileiras, sendo que os outros 30% estão espalhados pela Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela, representando uma preocupação ambiental de todas essas nações.

A colonização das terras para o crescimento da economia de larga escala se iniciou na década de 1970, segundo Bertha Becker (1990). Tendo em vista os interesses das grandes empresas em ocupar a região de forma mais rápida, o Governo brasileiro ofereceu subsídios, o que levou à criação de grandes latifúndios. Com isso, começou o desmatamento em ritmo acelerado e o afastamento das populações nativas daquela região, gerando diversos conflitos.

Samuel Murgel Branco em sua obra O Desafio Amazônico (1989) destaca a importância da ligação entre os atores sociais e o meio ambiente, mostrando que é preciso buscar a convivência pacífica na região, garantindo os direitos das comunidades locais e evitando os conflitos de terra. Ele comenta que o desmatamento é fruto também da necessidade de colonizar a região. No entanto, o autor destaca que o clima tropical específico daquela região é mantido apenas pela interação entre as árvores e o solo, o que mantém as chuvas e a terra fértil, primordial para a manutenção da vida e da preservação da natureza local.

Nesta semana, o Ministério do Meio Ambiente divulgou os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que verifica a quantidade de desmatamento na Amazônia. Os dados foram compilados em 2015 e 2016 e revelam que foram desmatados 7.893 quilômetros quadrados neste período.

Como se verifica, a região é palco de conflitos ao longo dos anos. No entanto, é preciso refletir que a preservação é essencial para a manutenção do ecossistema e das populações nativas que dependem da floresta. Ao abrir as possibilidades para exploração de empresas estrangeiras em uma área de extrema importância para a soberania nacional, o Governo brasileiro oferece condições propícias para o leilão de uma riqueza incalculável. Ainda que tenha voltado atrás em sua decisão, o simples fato de considerar esta hipótese já é algo preocupante.

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Imagem:

Mais de sete mil quilômetros quadrados foram desmatados entre 2015 e 2016.

(Fonte):

http://simat.mma.gov.br/acomweb/Media/Fotos/AC_2529.jpg