+55 (41) 99743-8306 contato@jornalri.com.br

Evolução da Arte da Guerra – Das Gerações da Guerra Moderna aos Conflitos Assimétricos

Parte 4 – A Quarta Geração da Guerra Moderna

Este artigo, dividido em seis partes, pretende mostrar, por meio da história militar, a evolução da arte da guerra a partir do século XVII. Serão apresentadas as quatro gerações da guerra moderna, suas características distintas e os avanços que fizeram elevar à próxima geração, bem como os expoentes e os fatos marcantes de cada fase. Apresentará, também, as modalidades atuais da guerra moderna, notadamente a Guerra Assimétrica e a Guerra Híbrida e suas nuances. Por fim, abordará as implicações para o futuro dos combates.

A seguir, a quarta parte.

Ataque da ETA ao Aeroporto de Barajas, Madri, 2006.

4. AS GERAÇÕES DA GUERRA MODERNA

Os fatores que definem as Gerações da Guerra moderna são a combinação do uso de novas tecnologias (armamentos, meios de transportes, equipamentos e logísticas) e o seu emprego tático. A nova tecnologia pode alterar a tática bem como as necessidades táticas podem impulsionar novas tecnologias. Quando a tática é alterada e, ao mesmo tempo, são usadas novas tecnologias, temos uma nova geração da guerra.

 4.1 A Quarta Geração da Guerra Moderna (4 GW)

A 4GW herdou as características de descentralização e iniciativa da Terceira Geração, mas, apesar disto, a Quarta Geração marca a mudança mais radical desde a Paz de Westphalia. Nesta Geração, o Estado perde novamente o monopólio sobre a guerra propriamente dita, conforme aponta o trabalho da equipe de Lind. A guerra volta a ser travada por grupos independentes, sem qualquer ligação com nações, contra Estados constituídos.

Também tem como aspecto a incidência de culturas em conflito e não apenas países em conflito. Em guerras dessa natureza uma invasão de imigrantes pode ser tão perigosa quanto a invasão do exército inimigo. É a crise de legitimidade do Estado, e essa crise pode significar, em muitos países, a eclosão de uma guerra de Quarta Geração em seus territórios.

Passa a não apenas opor forças militares especializadas, mas qualquer tipo de combatente que queira lutar por seus interesses.

Alguns aspectos são essenciais para entender a 4GW. A dimensão do campo de batalha inclui toda a sociedade inimiga, ou seja, qualquer local. A independência dos envolvidos faz diminuir a importância da logística centralizada. Maior ênfase nas alternativas ao combate, pois o efetivo e o poder de fogo não serão mais fatores de vantagem acentuada. Objetiva a destruição da capacidade interna de coesão do inimigo, em vez de destruí-lo fisicamente.

Os reflexos da globalização, a facilidade das comunicações e o conhecimento como matéria-prima, moldam as atividades econômicas e financeiras, sendo que a propriedade de uma empresa pode estar distribuída em todo o mundo, tendo pouco interesse nas necessidades políticas da nação origem (SILVA, 2011). O poder econômico fala mais alto na escala de interesses. Somado a isto, a criação de novos Estados, frágeis e débeis, facilita o aparecimento de forças não estatais, com vertentes culturais fortes.

Cabe ressaltar que o terrorismo se aproveita e tira vantagens da 4GW. Com o tempo isto se mostrou extremamente profético.

A 4GW é o resultado de uma evolução que visa tirar vantagem das mudanças, ocorridas desde a última grande guerra, nos aspectos político, social, econômico e tecnológico. Os novos antagonistas aos Estados surgem como protagonistas. São as organizações não estatais armadas como a al-Qaeda, o Hamas, o Hezbollah e, mais atualmente, o Estado Islâmico. Na América do Sul, as FARC, além das forças irregulares de diferentes matrizes: separatistas, anarquistas, extremistas políticos, étnicos ou religiosos, crime organizado e outras.

De acordo com o coronel Hammes, em seu artigo The Evolution of War: The Fourth Generation”, a 4GW exige muito mais inteligência, análise e maior capacidade de disseminação para servir a um sistema de comando altamente flexível. Ela engloba elementos de gerações de guerras anteriores; tal fato exige que nossas forças estejam preparadas para lidar com mais esse aspecto. Esta complexa mistura de gerações de guerras e a sobreposição de suas arenas políticas, econômicas, sociais, militares e de meios de massa dificultam, mais do que nunca, a determinação do tipo de guerra que está sendo travada.

Para entender a 4GW é importante dominar os conceitos de suas variantes principais, a Guerra Irregular e a Guerra Assimétrica, observando que elas se mesclam em vários aspectos e são complementares entre si.

Exemplos de Guerra de Quarta Geração são encontrados nos conflitos de grupos radicais independentes contra países, tais como a ETA (Euskadi Ta Askatasuna, ou Liberdade para a Terra Basca) na Espanha (SIMIONI, 2008).

4.2 Quadro resumo das gerações da Guerra Moderna

 A seguir, para complementar e ilustrar as informações passadas será apresentado um quadro resumo comparativo das características principais das quatro primeiras gerações da guerra moderna.

Tabela 1 – Quadro comparativo das características principais das gerações da Guerra Moderna (Adaptado de Visacro, 2011).

A próxima parte deste artigo, a de número 5, vai discorrer sobre as componentes da 4GW , a Guerra Irregular e a Guerra Assimétrica.

——————–

Imagem:

Ataque da ETA ao Aeroporto de Barajas, Madri, 2006.

 (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Euskadi_Ta_Askatasuna#/media/File:Atentado_de_ETA_en_el_aeropuerto_de_Madrid_Barajas4.jpg

 Referências Bibliográficas

HAMMES, Thomas X. A Guerra da Quarta Geração Evolui, a Quinta Emerge. Military review. Fort Leavenworth, edição brasileira, Setembro – Outubro, 2007.

LIND, William S. Compreendendo a Guerra de Quarta Geração. Military review. Fort Leavenworth, edição brasileira, Janeiro – Fevereiro, 2005.

SILVA, Carlos Alberto Pinto. Guerra Assimétrica: Adaptação para o Êxito Militar. Disponível em:

www.coter.eb.mil.br/html/0apic/ (site do Comando de Operações Terrestres do Exército Brasileiro – COTER).

Acesso em 10 abr. 2015.

SIMIONI, Alexandre Arthur Cavalcanti. O Terrorismo Contemporâneo: Consequências para a Segurança e Defesa do Brasil. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.

VISACRO, Alessandro. Guerra Irregular – Terrorismo, Guerrilha e Movimentos de Resistência ao Longo da História. São Paulo: Contexto, 2009.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *