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O “Golpe de Erdoğan” Um Ano Depois

No meu primeiro artigo apresentei a vocês dois portais de notícias. Um deles, o Stockholm Center for Freedom (SCF), (http://stockholmcf.org/), acaba de lançar um relatório sobre o golpe fracassado de 15 de julho de 2016, que ocorreu na Turquia. Erdoğan e os seus correligionários acusaram o clérigo moderado Fethullah Gülen por tramar o golpe e prometeram que iriam limpar toda a máquina estatal desse “vírus”.  Faltam 10 dias para completar um ano do suposto golpe. O porta-voz do presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, recentemente anunciou que nos dias 15 e 16 de julho será organizado um evento de comemoração e, inclusive o próprio Erdoğan, homenageará.

O título do relatório é “O Golpe de Erdoğan”. Com base em dados publicamente disponíveis, as acusações de golpe, testemunhos em julgamentos judiciais, entrevistas privadas, revisões de pareceres de especialistas militares e outras evidências coletadas pelos pesquisadores, o SCF está bastante confiante de que aquele episódio nem sequer pode ser qualificado como uma tentativa de golpe em sentido de mobilização militar, a qual foi excepcionalmente limitada em número de participantes, ocorreu em apenas duas cidades, foi mal gerenciada e desafiou as práticas estabelecidas, como a tradição, as regras de engajamento e os procedimentos operacionais padrão dos militares turcos.

Conforme o relatório, “esta foi uma continuação de uma série de false flag que foram descobertas nos últimos dois anos sob o governo autoritário do regime de Erdoğan e certamente foi a mais sangrenta”. “Erdoğan parece ter aproveitado rumores de golpe amplamente divulgados na capital turca e organizado um show para roubar o vento e criar sua oposição para uma perseguição”.

Uma das partes mais interessantes do relatório é entrevista com o clérigo moderado, auto-exilado nos EUA desde 1999, Fethullah Gülen. Pela primeira vez ele compartilha com a mídia que ele havia ouvido “algumas vezes que o chefe do Estado Maior, Hulusi Akar, está planejando um golpe”. Gülen negou veementemente as acusações de infiltrações e defendeu que “é o direito natural de todos os cidadãos trabalharem nas instituições do Estado”. Ainda disse que o seu pedido não foi atendido e que se refere ao fato de as instituições internacionais independentes formarem uma comissão para apurar o caso. Ele ressaltou que está totalmente aberto às entrevistas caso haja uma iniciativa nesse sentido e aceitará qualquer decisão dessa comitiva.

O partido de oposição da Turquia iniciou uma marcha no dia 15 de junho, em Ancara, com destino a uma prisão local em que se encontra Enis Berberoğlu, do Partido Republicano do Povo. Milhares de manifestantes iniciaram a caminhada a partir de Ancara. Kemal Kılıçdaroğlu disse que a sentença foi motivada pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan e fez as seguintes afirmações: “Vamos fazer o mundo todo ouvir. Nós estamos diante de um regime ditatorial turco”. Desde o início, os vários formadores de opinião da oposição participaram da marcha. Faltam quase 100 Km para chegarem ao destino, mas quase todos os correligionários de Erdoğan ameaçam Kılıçdaroğlu. Os ex-líderes do partido curdo (HDP), como Ahmet Türk, também estão entre os participantes da marcha.

Tudo mostra que a situação na Turquia é cada vez mais polarizada e ditatorial. Após um ano, Erdoğan ainda não conseguiu provar as acusações contra o movimento Hizmet. Milhares de funcionários públicos, militares, policiais, juízes, professores, ou foram demitidos ou estão presos. Mas a mentira é sempre descoberta, ou hoje ou amanhã. Parece que realmente falta muito pouco. E nesse dia essas pessoas que sofreram com o sultão Erdoğan se tornarão heróis, enquanto ele será considerado o Adolf Hitler do século XXI.

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Imagem

Erdoğan, o novo Hitler.

(Fonte):

http://www.frontpagemag.com/sites/default/files/styles/article_full/public/uploads/2016/01/c1-copy1.jpg?itok=8U0UgXII