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A Derrota do Estado Islâmico em Raqqa

O Estado Islâmico assumiu o controle de Raqqa em inícios de 2014. Neste período, os insurgentes estavam no auge de suas conquistas e pareciam quase que invencíveis. Segundo estimativas, eles chegaram a controlar um território com cerca de 90 mil Km2 divididos entre a Síria e o Iraque. Nestes dois países, o autoproclamado Califado estabeleceu a sua sede política e econômica. Raqqa, na Síria, tornou-se a capital política dos jihadistas, enquanto que Mossul, no Iraque, foi o seu centro econômico.

Forças Democráticas Sírias, em Raqqa.

A população de Raqqa foi tutelada pelos radicais islâmicos e a cidade tornou-se um dos lugares mais perigosos do mundo para os jornalistas. Durante três anos, Raqqa foi sendo destruída silenciosamente. Neste período, um grupo de jovens sírios desafiou a vigilância do Estado islâmico e fundou a Organização Raqqa Está Sendo Sacrificada em Silêncio (RBSS) – em inglês: Raqqa is Being Slaughtered Silently como meio de resistência e de jornalismo cidadão, para mostrar ao mundo as violações cometidas pelos radicais islâmicos contra a sua população. Muitos jornalistas morreram lutando pelos Direitos Humanos e pela libertação de sua cidade. Recentemente, após várias semanas de batalhas, finalmente Raqqa está livre do domínio dos milicianos de Abu Bakr al-Baghdadi, que sucumbiram ante as Forças Democráticas Sírias (FDS), compostas por curdos e árabes aliados à colalizão internacional. Em 17 de outubro, as FDS comunicaram que os combatentes do Estado Islâmico bateram em retirada.

O fato de as FDS terem vencido esta batalha não significa uma vitória definitiva. Raqqa é parte de um país em guerra, marcado pela presença de inúmeros grupos insurgentes que lutam entre si, pelo poder e por objetivos particulares. Para muitos analistas, neste momento é necessário prudência em vez de celebração. É fundamental analisarmos a questão tendo em vista que os reveses sofridos pelo Estado Islâmico expõem a sua fragilidade estratégica e militar até então nunca vista. O grupo enfrenta hoje, sérias dificuldades, inclusive no que se refere à perda de territórios estrategicamente essenciais para levar a cabo os seus propósitos e, também, o declínio praticamente total do seu poder de propaganda, que tem sido uma arma poderosa para se mostrar grande e arregimentar novos combatentes. Porém, há de se levar em consideração que, embora a organização esteja passando por uma fase delicada, isto não pressupõe o seu fim, pois os seus integrantes não renunciaram à causa pela qual eles lutam. Neste sentido, não é precipitado afirmar que o Estado Islâmico, apesar das derrotas sofridas, está ativo.

No presente, assim como Mossul, Raqqa é considerada uma cidade livre do domínio dos jihadistas. Contudo, tal como a guerra não cessa com o fim das batalhas, ainda há o desafio, por parte dos vencedores, de consolidar a vitória numa porção territorial de um país há seis anos em guerra. Evitar que aquela cidade caia novamente em mãos do Estado Islâmico ou de outras facções insurgentes é uma meta a ser alcançada para garantir aos seus habitantes o direito de viver e de reconstruir, a partir dos escombros, os seus lares na terra natal.

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Imagem:

Forças Democráticas Sírias, em Raqqa.

 (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2a/SDF_fighters_in_central_Raqqa.png/1200px-SDF_fighters_in_central_Raqqa.png