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A Demissão de Saad Hariri, Primeiro-Ministro do Líbano

No último sábado, 4 de novembro, Saad Hariri renunciou ao cargo de primeiro-ministro do Líbano. A notícia, que surpreendeu o meio político local e internacional, foi dada a partir da Arábia Saudita, onde Hariri se encontrava naquele momento. A renúncia do primeiro-ministro, que aconteceu próximo de completar um ano à frente do Governo, deixa um rastro de inquietações quanto à estabilidade política do País dos Cedros e, também, do Oriente Médio.

Saad Hariri – primeiro-ministro demissionário do Líbano.

O discurso de demissão foi transmitido pelo canal de notícias al-Arabiya, a qual afirmou que as Forças de Segurança Libanesa já haviam frustrado um adentado contra o primeiro-ministro. Durante o anúncio da demissão, Hariri apresentou as justificativas que o fizeram tomar tal decisão, de entre as quais se destaca a tensão em que vive o Líbano e o fato de a sua vida estar em risco, sendo que o Hezbollah e o Irã são os principais suspeitos. Segundo ele, “O Irã exerce um controle no destino dos países da região […]. O Hezbollah é o braço do Irã não apenas no Líbano, como também em outros países árabes”. No mesmo tom, o político libanês declarou que Teerã gerou um “conflito entre os filhos de um mesmo país” e criou “um Estado dentro do Estado […] até ter a última palavra nas questões do Líbano”. Neste sentido, pode-se afirmar que algumas opiniões são divergentes quanto às motivações que levaram à renúncia do primeiro-ministro. No entanto, não é precipitado admitir que as circunstâncias que envolvem o caso são plausíveis no que se refere às justificativas de Hariri e, também, quanto àquelas que são contrárias.

No novo episódio envolvendo a política libanesa, há fontes que afirmam que as autoridades sauditas estão por trás da saída do primeiro-ministro. De acordo com informações, as fracassadas tentativas militares da Arábia Saudita no Iêmen e na Síria têm levado Riade a pressionar muitos atores regionais, com o objetivo de limitar a influência do chamado “eixo da resistência no Oriente Médio”. Neste contexto, se por um lado o Hezbollah é uma força política, cujos interesses estão vinculados a Teerã, por outro, a Arábia Saudita rivaliza com o Irã pelo predomínio e influência regional, situação que tem se acentuado cada vez mais, nomeadamente, no pós-Primavera Árabe. Os acontecimentos provocados a partir dos protestos que eclodiram em 2011 desencadearam mudanças nas regras do jogo entre os atores regionais o que, de certo modo, favoreceu o Irã. A República Islâmica tem conseguido vantagens nesta empreitada e, embora o sucesso do presente não esteja garantido no futuro, é certo que a queda de governantes árabes acabou por preparar o caminho para uma política externa iraniana mais assertiva no Oriente Médio,

Os interesses díspares entre as potências regionais acentuam a instabilidade do Oriente Médio. O resultado das disputas externas acaba por interferir internamente em cada país, nomeadamente, sobre o grupo dos politicamente mais frágeis, no qual está inserido o Líbano. A renúncia de Saad Hariri significa mais do que o colapso de um Governo, representando a paralisação das tentativas de resolução de problemas internos básicos como, por exemplo, a coleta de lixo e a questão dos mais de um milhão de refugiados que estão vivendo em condições sub-humanas. Este também é o fim da coligação composta pelos grandes partidos, incluindo o Hezbollah, que formavam o Governo libanês. Consequentemente, temos à vista o despontar de uma nova crise política no país que, inevitavelmente poderá influenciar de modo negativo a preparação das próximas eleições legislativas previstas para 2018.

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Imagem:

Saad Hariri – primeiro-ministro demissionário do Líbano.

(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Saad_Hariri#/media/File:Saad_Hariri_in_Washington_-_2017_-_(35376275923).jpg

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