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A Declaração do Poder

Em 06 de dezembro de 2017 a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel me fez lembrar o “Anel de Giges”, texto em que Platão, através do diálogo entre Sócrates e Glauco, questiona os limites do Poder.

Palestinos assistem ao discurso do presidente norte-americano Donald Trump em um café em Jerusalém. Trump reconheceu a cidade de Jerusalém como a capital de Israel – 06/12/2017 (Ahmad Gharabli/AFP).

É sabido que esta área, geográfica e historicamente importante para o mundo contemporâneo, por abrigar locais sagrados para os cristãos, os muçulmanos e os judeus, está em constante cuidado pelas organizações internacionais, desde 1947. Naquele ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas, ao instituir o plano de Partilha da Palestina entre um Estado árabe e um estado judeu, determinou Jerusalém como o corpo separado (corpus separatum), que seria administrada por um conselho tutelar da ONU, em regime internacional e conforme as regras determinadas por este conselho.

Em que pese, na prática, a tentativa de paz na região não ter saído a contento vários são os esforços feitos para minimizar os conflitos entre os palestinos e os israelenses, tentando, de todo modo, contornar as questões mais sensíveis e de modo mais diplomático possível. Ocorre que a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece ter comprometido as frágeis negociações de paz entre os palestinos e os israelenses, pois, após a declaração os protestos e os embates se acirraram na região deixando em apenas dois dias um saldo negativo de 750 pessoas feridas.

Quanto à negociação que tentava constituir um acordo divisório para estabelecer Jerusalém Ocidental como capital de Israel e Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino, também parece ter sucumbido com esta declaração. A decisão dos Estados Unidos de reconhecer oficialmente Jerusalém como a capital de Israel virá, na prática com a instalação/deslocamento da embaixada dos Estados Unidos na cidade, na contramão de outros países que mantêm relações diplomáticas com Israel.

Atualmente, todos os países que mantêm relações diplomáticas com Israel instalam/mantém suas embaixadas em Tel Aviv, em conformidade com as indicações de neutralidade das Nações Unidas, de modo a evitar conflitos numa área por si só tão cara aos palestinos e israelenses.

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Imagem:

Palestinos assistem ao discurso do presidente norte-americano Donald Trump em um café em Jerusalém. Trump reconheceu a cidade de Jerusalém como a capital de Israel – 06/12/2017 (Ahmad Gharabli/AFP).

(Fonte):

https://veja.abril.com.br/mundo/trump-reconhece-jerusalem-como-capital-de-israel/

Fontes consultadas:

Porque Trump Reconheceu Jerusalém como Capital de Israel?

Disponível em: http://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2017/12/por-que-trump-reconheceu-jerusalem-como-capital-de-israel.html

Acesso em 12 de dezembro de 2017.

Corpus Separatum?

Disponível em: https://www.lrb.co.uk/blog/2017/12/06/mouin-rabbani/corpus-separatum/

Acesso em 12 de dezembro de 2017.

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