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A Atuação Internacional do Movimento Ambientalista

Tendo em vista as políticas adotadas nos últimos meses pelo governo norte-americano em relação ao meio ambiente, como a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, um dos principais documentos de intenções para a redução da poluição e desmatamento, o objetivo deste artigo é abordar a importância dos movimentos sociais e organizações não governamentais na defesa das causas ambientais. A participação cidadã é primordial para que os atores coletivos consigam ampliar seu poder de ação e de criação de vínculos, fazendo com que as temáticas ambientais ganhem maior visibilidade. Por meio das redes, o espaço de participação do cidadão pode ser ampliado ao se vincular a outros que buscam os mesmos interesses, segundo Ilse Scherer-Warren (2005). Com isso, o intercâmbio de informações e esclarecimentos, além de trocas de experiências, faz com que as pessoas, pela união do coletivo para combater um inimigo em comum, consigam atingir os objetivos.

A participação cidadã e o meio ambiente.

As redes de movimentos sociais se caracterizam, assim, pela articulação de atores, pela transnacionalidade em um mundo cada vez mais globalizado e o pluralismo organizacional e ideológico, tendo em vista que podem acolher pessoas com concepções distintas, mas que buscam um objetivo comum. Uma organização não governamental que se destaca na atuação global é o Greenpeace, que consegue êxito em inserir na mídia suas reivindicações por ser fonte de informação legítima, e por disseminar novos conhecimentos científicos entre a comunidade de investigadores e também para os veículos de comunicação. Ainda que muitos dos temas trazidos sejam largamente debatidos, o apelo das campanhas torna este conteúdo mais interessante, do ponto de vista midiático.

Segundo Manuel Castells (1998), o movimento ambientalista é o que ganhou maior força nos últimos 40 anos. A atuação destes movimentos por maior espaço na esfera pública reflete inclusive no cenário político, tendo em vista que muitos partidos inseriram em seus planos de ação pautas focadas nas questões ambientais. De acordo com o autor, os sistemas socioeconômicos e políticos estão se reorganizando para atingir um modelo de desenvolvimento e de atuação mais sustentável e responsável. Há um “verdejamento” da sociedade, ocasionado também pela atuação dos movimentos sociais e ONGs.

Historicamente, os movimentos ambientais surgiram no século XIX em classes mais abastadas e, a partir de 1960, surge um movimento ambientalista de massa na Europa Ocidental, Alemanha e, também, nos Estados Unidos. O movimento ambientalista se alastrou pelo mundo e o sucesso de muitas ações se deve, segundo Castells, às condições de mobilização social e às estratégias de comunicação, conseguindo transmitir as mensagens a um grande número de pessoas.

Nesta perspectiva, não é possível conferir ao movimento ambientalista apenas a função de conscientização. Ao contrário, há uma busca constante pela modificação nas legislações dos países, a fim de proteger e conservar o meio ambiente, e também de fiscalização das atitudes dos governos. Há, portanto, participação dos atores coletivos junto aos partidos políticos para que a causa ambiental também ganhe espaço na esfera pública. O movimento ambientalista também se mostra atuante nos fóruns e conferências internacionais para debater as pautas relativas ao meio ambiente, incentivando contatos e acordos entre as nações para tratar do assunto.

Ainda que os resultados sejam um pouco tímidos a longo prazo, ou que haja alguns retrocessos ao longo dos anos, com posições um tanto quanto retrógradas adotadas por certos governos, a importância da atuação destes movimentos e atores está no incentivo à participação cidadã e ao envolvimento de diversos atores nas causas propostas. As pessoas conseguem maior suporte nas reivindicações quando participam e se envolvem com as causas, o que aumenta as chances de sucesso das ações coletivas.

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Imagem:

A participação cidadã e o meio ambiente.

(Fonte):

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Referências bibliográficas

CASTELLS, Manuel. O Poder da Identidade: A Era da Informação – Economia, Sociedade e Cultura. Tradução de Klauss Brandini Gerhardt. 6.ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008. v. 2.

SCHERER-WARREN, Ilse. Redes de Movimentos Sociais. 3.ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2005.

 

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