+55 (41) 99743-8306 contato@jornalri.com.br

As Ameaças do Estado Islâmico ao Hamas

O Estado Islâmico começou o ano de 2018 declarando guerra ao Hamas, a quem atribui a responsabilidade de não ter impedido o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA. Mas o descontentamento que reina entre os dois grupos sunitas não é recente nem diz respeito somente à questão de Jerusalém, embora segundo informações seja esta demanda que elevou o tom das ameaças.

O aumento das tensões entre o Estado Islâmico e Hamas.

Desde 2015, o Estado Islâmico tem demonstrado rejeição à governação do Hamas na Faixa de Gaza por considerar que a facção palestina não é rigorosa o suficiente quanto aos preceitos islâmicos e por não aplicar a lei da sharia (lei islâmica). Logo nos primeiros dias de janeiro de 2018, o Wilayat (Província) do Estado Islâmico no Sinai, o antigo grupo Ansar Bayt al-Maqdis que, desde novembro de 2014, é o braço armado do Estado Islâmico na Península do Sinai, por meio de vídeo “prometeu derrotar o Hamas na Faixa de Gaza”. Conforme divulgado pelo jornal The Times of Israel, quem aparece na gravação de 22 minutos é um homem originário da Faixa de Gaza, um pregador do Estado Islâmico na Península do Sinai, identificado como Abu Kazem al-Maqdisi. Durante o discurso, ele incitou os seguidores de Abu Bakr al-Baghdadi a atacarem as posições do Hamas e fez a seguinte afirmação: o [Hamas] usa as suas armas contrabandeadas para capacitar o que não foi revelado por Deus. Também luta contra os partidários do Estado Islâmico em Gaza e no Sinai e impede a migração desses partidários de Gaza para o Sinai”. Na sequência, ele apelou aos combatentes para lutarem contra o Hamas e jamais se renderem à organização palestina. No final do vídeo, o narrador apresentou um homem chamado Musa Abu Zamat como sendo um colaborador do Hamas e que foi executado com um tiro na nuca.

O Hamas nega a veracidade do vídeo e das ameaças, tendo alegado que isto tudo foi planejado por Israel. O porta-voz do grupo palestino, Salah Bardawil, escreveu na sua conta do Twitter que o vídeo “é uma produção sionista, na qual as ferramentas árabes participam para distorcer a resistência … Isto é o que a agência de inteligência sionista e os seus lacaios têm procurado”. Apesar de o Hamas minimizar a situação, as circunstâncias apontam para o crescimento das tensões entre as duas facções insurgentes, que estão tentando fortalecer a posição. Apesar de o Califado ter naufragado, o Estado Islâmico continua ativo e não desistiu de seus objetivos. Estudos estratégicos apontam para a expansão do Wilayat de modo preocupante no Egito, onde há a ausência de leis. Talvez a corrente religiosa sunita seja o único ponto que o Estado Islâmico e o Hamas têm em comum. Ambos divergem quanto aos interesses, o entendimento e a aplicação dos ensinamentos do profeta Maomé. Por se tratar de um grupo salafista, o primeiro tem uma abordagem fundamentalista do islamismo e combate, também, os muçulmanos moderados, enquanto que o segundo, embora seja radical, é mais flexível. Neste contexto, a concepção de vida e de mundo acaba por influenciar as posições políticas e religiosas assumidas pelos jihadistas. Deste modo, enquanto que o Estado islâmico prega uma guerra religiosa global, o Hamas está mais centrado no nacionalismo palestino. Um possível confronto entre o Estado Islâmico e o Hamas, no futuro, altera a configuração geoestratégica na Palestina. Se isto acontecer é provável que os embates também envolvam o al-Fatah e comprometerá ainda mais o estabelecimento do Estado Palestino.

——————–

Imagem:

O aumento das tensões entre o Estado Islâmico e Hamas.

(Fonte):

http://www.thegatewaypundit.com/wp-content/uploads/isis_hamas_flag_burn.jpg

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *