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A Agonia das Crianças na Guerra da Síria

A guerra na Síria teve início há seis anos. Neste período de tempo, mais de cinco milhões de pessoas se tornaram refugiadas enquanto aumentaram os riscos de morte para as crianças que passaram a ter pela frente um futuro incerto. Hoje, o número de crianças e de adolescentes que necessitam de assistência humanitária ultrapassa os seis milhões, sendo que quase dois milhões de estudantes sírios já não têm mais aulas. A UNICEF se recusa em falar de geração perdida mas, infelizmente, todos os fatos convergem para este fim e se solidificam na medida em que a guerra não cessa. Há meninos e meninas que não conhecem a vida longe do conflito armado e as brincadeiras da infância foram substituídas pelo medo e pela dor. Muitas delas perderam o pai, a mãe e os irmãos, enquanto que outras tiveram que se tornar adultas antes do tempo para assumir a responsabilidade de cuidar da família que restou. Os traumas, os pesadelos e a desesperança passaram a fazer parte da vida de muitos menores sírios que estão crescendo num ambiente de hostilidades e de morte que está na origem da destruição física e psicológica de uma geração de jovens que conheceu pouco o que significa a harmonia, ou que nem sequer tive tempo para viver em paz.

Criança refugiada síria: o sofrimento provocado pela guerra.

O relatório da ONG Save the Children traz dados alarmantes sobre as crianças que têm vivido o pavor da guerra na Síria. Segundo este documento, muitas delas param de falar subitamente e cerca de 71% sofrem de incontinência urinária. Paralelamente a tudo isto ocorreu o aumento de agressão contra os menores e o recrutamento dos mesmos por grupos insurgentes, o uso de substâncias tóxicas, o trabalho infantil, a exploração, o suicídio e a auto-mutilação. O medo e o nervosismo são algo constante nestes pequenos cidadãos sírios, dos quais em torno de 78% sentem dor extrema e tristeza. Ainda de acordo com o diagnóstico feito pela Save the Children, de entre todas as crianças ouvidas, mais de 70% estão com estresse tóxico que, segundo especialistas, é motivado pela exposição constante a experiências adversas muito fortes, como a violência da guerra. Isto poderá afetar a saúde física e mental desses menores que correm o risco de sofrer danos psicológicos irreversíveis. A Dr.ª Marcia Brophy, assessora na Save the Children, no setor de Apoio à Saúde e Psicossocial para as Crianças do Oriente Médio, afirmou: “Estamos falhando com as crianças da Síria, algumas das quais estão sendo deixadas sós para lidar com experiências angustiantes, desde testemunharem seus pais serem mortos, até os horrores da vida sob o cerco, sem apoio adequado. Corremos o risco de condenarmos uma geração de crianças a uma vida com problemas de saúde mental e física – É preciso garantir que as crianças que já perderam seis anos de suas vidas para a guerra não percam o futuro inteiro”.

O grande desafio do momento, para salvar as crianças sírias, é acabar com a causa de todos os problemas de que elas são vítimas. Para os especialistas em saúde mental, o fim da guerra é o único remédio que permitirá pôr fim às mazelas e à desesperança no futuro que estão atingindo de modo impiedoso uma população na tenra idade. Um número significativo delas, desde que nasceram só conheceram a violência provocada pelo ser humano e pelas armas que destruíram as suas casas e os seus entes queridos. Foram obrigadas a conviver com o desmantelamento de sua terra natal e da sua sociedade ao som de morteiros e dos bombardeamentos lançados contra áreas civis povoadas. Os horrores da guerra na Síria suprimiram os Direitos Humanos. Por outro lado, os Direitos Fundamentais das Crianças estão em agonia na medida em que o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à infância e ao futuro estão seriamente comprometidos e a caminho da extinção.

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Imagem:

Criança refugiada síria: o sofrimento provocado pela guerra.

(Fonte):

http://3.bp.blogspot.com/-7TliStqMYnI/UX1qI-kOE4I/AAAAAAAAAC0/Zz4sGBTSvRw/s1600/Blue-eyed+beautiful+Syrian+refugee+child.jpg