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A Importância da OPAEP na Geopolítica do Petróleo

Sediada na Cidade do Kuwait, a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OPAEP) foi fundada em 1968 pela Arábia Saudita, o Kuwait e a Líbia, e até 1973 já contava com 10 membros, quando se juntaram aos fundadores originais em 1970 a Argélia, o Bahrain, o Catar e os Emirados Árabes Unidos (EAU); o Iraque e a Síria em 1972; e o Egito em 1973. Em 1982 a Tunísia também se afiliou a OPAEP, mas por motivação política decidiu se desligar da organização quatro anos após seu ingresso. Vale destacar que sete dos dez membros da OPAEP, com exceção do Bahrain, do Egito e da Síria, também fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que foi criada oito anos antes da entidade árabe.

The British Petroleum Company – BP – British Petroil Statistical Review of World Energy 2016 workbook

A entidade foi criada com o intuito de estabelecer diretrizes de cooperação regional e intragovernamental entre os seus membros, buscando políticas comuns para o melhor desenvolvimento da indústria petrolífera dos seus Estados-membros. A instituição da OPAEP, na época, foi a concretização de uma política pan-árabe para coordenação do petróleo dos países da região, pois tais Estados buscavam estabelecer diretrizes independentes das empresas estrangeiras que atuavam na região.

A OPAEP desempenhou um papel relevante na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973 (a quarta guerra árabe-israelense desde a fundação de Israel em 1948), quando determinou cortes progressivos de produção de petróleo para os países neutros no conflito e impôs um embargo total sobre os aliados de Israel, em especial sobre os Estados Unidos da América, a Holanda, Portugal, a África do Sul e a Rodésia (atual Zimbábue). A interrupção do fornecimento pelos países árabes foi o fator que contribuiu para o estabelecimento de um preço muito mais alto do que a média histórica das décadas anteriores, alterando significativamente as condições do mercado petrolífero mundial no período.

Dois aspectos principais destacam a importância desta organização no contexto da geopolítica mundial de energia: o comercial e o geográfico. Do ponto de vista comercial, quando se trata do mercado de petróleo a relevância da entidade árabe é refletida pelos números. No ano de 2015 os países da OPAEP compartilhavam pouco mais de 56% das reservas internacionais comprovadas desse recurso e eram responsáveis por 29% da produção mundial e 68% de todas as exportações ao redor do globo. No mercado de gás natural, 27% das reservas comprovadas encontram-se em territórios dos países da OPAEP que ainda são responsáveis por 14,5% da produção a nível global e 18% das exportações mundiais. Ainda nesse quesito, 38% das exportações de Gás Natural Liquefeito (GNL) tem origem nos países da organização árabe, especialmente do Catar[1].

Os números poderiam ser ainda mais expressivos se não houvesse os problemas de instabilidade e de guerras que assolam alguns países da região como a Líbia, o Iraque e a Síria desde o rompimento da Primavera Árabe em 2011.

Do ponto de vista geográfico, a OPAEP se encontra em uma importante posição estratégica ocupando espaços desde o Norte da África até o Sudoeste asiático, desde o Mar Mediterrâneo até o Golfo Pérsico. No contexto da geopolítica do petróleo, tal espaço geográfico conferiu aos Estados árabes uma posição central de produção e, principalmente, de distribuição de petróleo para o Ocidente e para o Oriente. Neste contexto, é possível dividir os Estados da OPAEP em três sub-regiões: O Norte da África (Argélia, Egito e Líbia); o coração do Oriente Médio (Iraque e Síria); e a Península Arábica (Arábia Saudita, Bahrain, EAU, Kuwait e Catar), que é a sub-região com maior estabilidade da organização.

Esta região onde se encontram os países da OPAEP, também propõe desafios geográficos marítimos e terrestres para o escoamento de petróleo dos seus membros. Sobre os desafios marítimos é importante destacar que nenhum Estado da organização possui acesso direto ao oceano aberto por onde trafegam grande parte de suas exportações em direção às Américas, ao Leste asiático e à Europa, pois a mesma é cercada por chokepoints como os Estreitos de Ormuz, Bab el-Mandeb, Gibraltar e canais aquaviários como o Canal de Suez. Estes pontos de estrangulamento são chokepoints que em situações de crise de longa duração podem prejudicar as exportações de petróleo e consequentemente afetar os preços de comercialização do barril, podendo alterar significativamente a dinâmica do mercado internacional de petróleo.

Sob o ponto de vista terrestre, os principais desafios estão ligados ao planejamento dos trajetos dos oleodutos e gasodutos que escoam a produção dos hidrocarbonetos aos portos do mar Mediterrâneo, de onde seguem carregamentos marítimos para o mercado europeu. Essa é uma preocupação que, por motivos de posição geográfica, atinge em menor grau os países do Norte da África, que se defrontam com o continente europeu separados apenas pelo Mediterrâneo, e em maior grau os da Península Arábica e do Coração do Oriente Médio, onde se encontram os países de origem de produção, essencialmente aqueles da Península Arábica, onde são encontrados enormes campos de petróleo ao longo da costa do Golfo Pérsico, e os países de trânsito, aqueles do Coração do Oriente Médio como a Síria e o Iraque, sendo este último também possível de ser classificado como país de origem de produção por conta de suas grandes reservas de petróleo, especialmente as da região do Curdistão iraquiano.

Os membros da OPAEP, assim como os da OPEP, são importantes fornecedores internacionais de hidrocarbonetos e sua parcela de mercado combinada com seus aspectos geográficos e a estabilidade regional são fatores a serem considerados para a segurança energética internacional, pois garanti-la é um dever compartilhado pelos países importadores e exportadores de recursos energéticos conforme destacado por Abbas Ali al-Naqi, atual Secretário-Geral da OPAEP, em 2014 em uma conferência na Grécia: “A segurança reside na estabilidade de todo o mercado, para o benefício dos países produtores e consumidores. A necessidade de reforçar a segurança energética tem que ser vista tanto do ponto de vista da oferta quanto da demanda, que deveriam apoiar-se mutuamente”.


Fonte: http://www.oapecorg.org/Home/Media/Pictures/PhotoList?id=799ef902-1637-4fa7-bbee-485e3444b1eb

Referências:

[1] Dados disponíveis em BP Statistical Review of World Energy June 2016 workbook  Disponível em: http://www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/energy-outlook/energy-outlook-downloads.html;

e The OAPEC Energy Databank. Disponível em – http://oapecdbsys.oapecorg.org:8080/apex/f?p=101:8:0:

Acessados em  5 de março de 2017.

MAACHOU, Abdelkader. OAPEC and Arab Petroleum. Paris: Berger-Levrault, 1982.

OAPEC Annual Statistical Report 2016.

Ver: http://www.oapecorg.org/Home/Publications/Reports/Annual-Statistical-report

Organization of Arab Petroleum Exporting Countries. Official Speeches: Second Greek EU Presidency Conference. MAY 5th-6th 2014.

Ver: http://www.oapecorg.org/Home/Media/Official-Speaches/OfficialSpeechDetail?id=a4826721-6321-4d4b-8c2d-8a8fed05a639

Acessado em 05 de março de 2017.