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A Crise Estrutural Brasileira

Congresso Nacional, Praça dos Três Poderes, Brasília.

A corrupção no Brasil é um problema antigo, que tem atravessado gerações sem uma solução definitiva. O desvirtuamento político que, desde há anos, afeta os aspectos social, econômico e cultural dos brasileiros, compromete o bem-estar dos cidadãos e transforma o Estado num balcão de negócios, no qual uma elite política, moralmente mal formada, anda de mãos dadas com o capitalismo sem regras que torna o país numa fonte de recursos que serve para atender os seus interesses pessoais ou de grupo. Na atualidade, e pela primeira vez, o Brasil não tem um salvador da pátria, mas nem por isso o povo brasileiro se sente seguro, pois não se sabe quem será o próximo candidato a assumir a chefia do Estado.

Três décadas após a redemocratização do Brasil, dois presidentes foram destituídos: Fernando Collor de Mello, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2015, em consequência da corruptela que assola o território nacional. Agora, um ano após o último impeachment, outros treze pedidos foram protocolados, incluindo aquele que foi encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), solicitando o afastamento do presidente Michel Temer. Porém, cinco já foram arquivados por Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, também investigado por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, sob a justificativa de que as ações estavam apenas baseadas em recortes de jornais. Acredita-se que mais três terão o mesmo destino. No entanto, na quinta-feira, 25 de maio, Claudio Lamachia, presidente da OAB, entregou o pedido de impedimento de Temer no Legislativo, fundamentado no crime de responsabilidade, a partir da análise de fatos relatados durante a delação dos executivos do grupo empresarial J&F.

As sucessivas administrações desonestas têm agravado a situação do Brasil, ao nível interno e externo, comprometendo o futuro da sociedade brasileira que vive no cotidiano a falta de segurança, a violência que assola as cidades e, também, o campo, os cuidados de saúde e a educação precários, acompanhados de níveis de desenvolvimento econômico insignificantes. Estas são as consequências de descasos governamentais que, hoje, são agravados por crises políticas contínuas, as quais comprometem o amanhã da população brasileira, de modo que aquilo que paira é a permanência da incerteza. A partir das mazelas políticas começa a sobressair o autoritarismo em resposta a uma governança fraca e desprovida de um projeto coletivo comprometido com o bem-estar da sociedade e do país. As providências tomadas pela Presidência da República relativamente aos fatos decorrentes das manifestações em Brasília, no dia 24 de maio, assinalam o exercício de um poder autoritário e uma ameaça à democracia.

Os protestos, que inicialmente começaram por ser pacíficos, terminaram com 7 pessoas presas, 49 feridas e prédios públicos depredados. A reação por parte do poder público surpreendeu a população e trouxe a lembrança dos anos de chumbo no Brasil, durante a Ditadura Militar. De acordo com informações, o pedido de segurança no entorno da Esplanada dos Ministérios partiu da Câmara dos Deputados que, segundo o presidente daquela casa, solicitou junto do presidente Michel Temer o uso da Força Nacional. Porém, Temer, por meio de Decreto, autorizou o uso das Forças Armadas por um período de sete dias, o qual, devido às pressões, foi revogado. Esta atitude do presidente, segundo Rubens Beçak, constitucionalista e professor da Universidade de São Paulo, corresponde ao fato de que Temer lidera “um Governo que já não tem legitimidade e que procura se agarrar ao poder. Parece um golpe de Estado”. Contudo, à medida que se confirma a debilidade de uma administração marcada pela corrupção, o país continua à deriva e com o futuro incerto. Michel Temer se nega a renunciar, o que torna mais complexa a situação do Brasil. A renúncia pode não ser a solução para todos os problemas brasileiros, mas poderá apontar um novo rumo. Porém, ao longo da História, a abjuração em tempo hábil sempre foi feita por pessoas sérias e por estadistas, algo que o Brasil dificilmente consegue congregar.

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Imagem:

Congresso Nacional, Praça dos Três Poderes, Brasília.

(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/93/National_Congress_of_Brazil.jpg